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"OITO ANOS DE SAUDADES"

 

“Dom Mário Teixeira Gurgel, a todos contagiava com seu humor cearense. De senso prático, espírito crítico e determinado estruturou a Diocese, imprimindo-lhe um rosto próprio: uma igreja comprometida com a causa dos operários”. (Cardeal Dom Raymundo Damasceno Assis, Arcebispo de Aparecida, São Paulo, Presidente da C.N.B.B. e ex colega seminarista do itabirano, Benito Carlos de Andrade).

Lembro-me, por ironia do destino, que hoje, terça-feira, dia l6 de setembro (2006-2014), completa-se oito anos da partida de nosso querido e inesquecível bispo diocesano, Dom Mário Teixeira Gurgel para a eternidade. Bispo Auxiliar da Arquidiocese do Rio de Janeiro, em 1971, depois de um hiato de cinco sem bispo na terra de Tutu Caramujo, pois o primeiro, Dom Marcos Antonio Noronha havia renunciado (1965-1970), chega, à cidade, onde toma posse em 18 de junho de 1971 como nosso segundo bispo. Sem conhecer ninguém, Dom Mário, cearense de nascimento, sem exagero algum, passou por um período difícil nessas plagas no início de seu bispado. Sem conhecer a urbe, sequer pessoas, chega a uma cidade onde seu antecessor havia renunciado, a catedral diocesana havia sido jogada ao chão, após rachaduras que impossibilitaram sua utilização para o culto religioso e o prefeito havia se suicidado. Seu primeiro e único amigo, inegavelmente foi o senhor Ninico Amâncio que percebendo o isolamento do povo que havia sido apanhado de surpresa, logo, logo passou a frequentar sua casa, com isso, conquistando sua amizade, conhecimento de um para com o outro e confiança mútua, assim, tornando-se amigos. Durante vários anos foi seu elemento de confiança e companheiro de jornada, inclusive o primeiro secretário diocesano. Não é nenhum exagero expressar que a terra de Tutu Caramujo com esse desaparecimento ficou órfã, e uma tristeza pairou no povo itabirano, especialmente os mais pobres e desprovidos que tinham em dom Mário um refúgio muito especial nas suas necessidades, bem como a igreja católica que perdeu a presença viva de um ser humano racional, amado e muito querido. Possuía uma inteligência privilegiada no pronunciar suas homilias, sempre curtas e objetivas, momento em que as exemplificava com uma pitada de humor nordestino que a todos contagiava. E quando escrevia, dava-nos um sentido profundo do seu alto conhecimento de Deus e do ser humano. Escreveu, para a eternidade, alguns livros, inclusive um só de piadas, cujo fruto financeiro serviu para dar início à construção de uma igreja católica no bairro Pedreira, seu xodó. Caracterizou-se em dom Mário, talvez sua marca maior, foi a bondade irradiante e um grande interesse pelo bem comum, um estar espiritual, social e material do irmão menos favorecido. Foi um humanista na plenitude do termo. Sua residência, diariamente estava repleta de pessoas necessitadas de auxílios, material e espiritual. No seu tempo, ainda não existiam farmácias populares, nem remédios de graça e todos que o procuraram foram atendidos e assistidos com extremo amor e piedade. Quantas e quantas receitas médicas foram tomadas para si a responsabilidade, aviando-as para aliviar a dor material do semelhante necessitado. Um verdadeiro samaritano. O HNSD tomou grande impulso material e administrativo com sua participação, quando conseguiu verbas e mais verbas da Misereor e Karitas, instituições católicas da Alemanha para a aquisição de um grande número de equipamentos modernos. Uma verdadeira revolução sofreu esse centenário Hospital, muitas vezes endividado e sempre em condições precárias de se manter num atendimento à pobreza. Foi o fundador da FUNCESI. Durante anos, administrou sua cria com sinceridade e amor, lá deixando um legado aos seus sucessores que jamais será esquecido. No período de seu bispado sofreu muito com desligamentos de sacerdotes que abandonaram o Santo Ofício e com denúncias vãs e infundadas ao Vaticano, feitas por incautos seguidores descontentes. Perseguições ocultas e declaradas por causa da sua adesão aos novos movimentos da igreja emergente a favor dos pobres, seguindo os ensinamentos do Encontro Eclesiástico de Puebla, México. Por isso, foi cognominado “bispo comunista” por seus algozes. Depois de toda tempestade, após enfrentar ameaças do Vaticano, fofocas, mentiras, incompreensões, perjúrios, chacotas e desamor de seus desafetos, quando tudo parecia estar num tempo bom, veio-lhe a doença. Mesmo assim, nunca em tempo algum deixou de trabalhar para as comunidades, especialmente, as mais pobres. Foi o principal articulador na formação de líderes dos movimentos católicos, assim como o fundador das Associações de Amigos de Bairros, Clube de Mães, Legião de Maria, da qual era o Diretor Espiritual e prioridade à Catequese, além, de outras entidades e Pastorais ainda existentes. Dom Mário iluminou a terra de Tutu Caramujo, vivendo, fielmente, o significado sublime de seu nome e de seu lema episcopal: “Como aquele que serve”. Um dia, talvez, será glorificado, dado que não se apaga a memória dos grandes homens, como João XXIII e João Paulo II, hoje santos. Os méritos a Dom Mário hão de permanecer para sempre recordados, cada vez mais, porque o seu ardor missionário pelo bem, a consistência de sua têmpera, a fibra de seu coração, a magnitude de sua cultura, a irradiação de sua santidade brilharão, não apenas no espírito dos que tiveram a dita de conhecê-lo, mas, ainda, nos daqueles que ouvirão falar de seus adamantinos (=Parecido ao diamante, puro íntegro=). Com certeza, no vasto catálogo dos grandes vultos do cristianismo, um dia, o seu nome estará escrito para sempre, “como aquele que serviu” na nossa história e na história da igreja da Diocese de Itabira/Cel. Fabriciano. Sim, o nome desta inimitável pessoa humana que, parecia ser frágil, porém, reconhecidamente um homem diferente que aqui quis deixar seus restos mortais. Grandioso servo de Deus, apóstolo intrépido como Paulo de Tarso, sábio como São Tomaz de Aquino, caridoso como São Vicente de Paulo, dinâmico como João Paulo II. Um herói de nossos dias, às vezes esquecido, ostentando todos os matizes da santidade, é ele hoje o merecedor de todas as homenagens desse espaço. Partiu, há oito anos, mas sua presença permanece eternamente no meio de nós, “Como Aquele que Serve”, seu lema de Bom Pastor. Pense nisso.

ÓTIMA SEMANA PARA TODOS!!!






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