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A CRONICA DA SEMANA: NOS HOSPITAIS DA VIDA

 

 

Dias desses fui, à tarde, visitar um amigo meu doente no hospital. De pavilhão em pavilhão, tive de percorrer esta Cidade da Paixão, adivinhando os dramas que as paredes claras e as flores dos canteiros escondiam.

Precisei atravessar uma primeira ala; caminhava na ponta dos pés, à procura do doente, instantes em que roçava com o olhar àqueles seres estendidos, assim como o enfermeiro toca delicadamente uma ferida para não fazer sofrer o paciente.

Sentia-me desajeitado. Como um leigo extraviado num templo cheio de mistério. Como um pagão na nave de uma igreja. Bem ao fundo da segunda enfermaria da terceira ala encontrei meu amigo doente. E, diante dele, comecei a gaguejar, não encontrando o que dizer-lhe. Perdido naquele latifúndio me senti um inútil, um verdadeiro pagão.

Lembrei-me de Jesus, o Cristo no alto da Cruz. Sozinho. Sem ninguém, sequer seus amigos de jornada por toda Galileia, Cafarnaum, Jerusalém, e principalmente, quando no Alto do Gólgota, num grito de dor, num lamento dramático exclamou: “Pai, perdoai-lhes porque não sabem o que fazem”.

Senhor, o sofrimento me desconserta, ele me oprime. Não posso compreender porque o autorizas. Por que, Senhor? Por que este garoto inocente, que vi, numa semana, gemendo atrozmente por causa de uma queimadura por todo o seu corpo?

Este homem que agonizava, já faz três dias e três noites, chamando pela mãe? Esta mulher cancerosa que torno a encontrar, vendo-a após um mês envelhecida de dez anos? Este operário que caiu dos andaimes, fantoche desmantelado de pouco menos de vinte anos? Este estrangeiro, pobre destroço isolado, que não passa de uma chaga purulenta? Esta moça engessada, estendida no numa tábua nos corredores há mais de trinta dias? Por que, Senhor? Eu não entendo. Por que este sofrimento no mundo, este sofrimento que choca, fecha, revolta, quebra?

Por que este monstruoso, hediondo sofrimento, que vai batendo às cegas, sem dar explicações? Vai injustamente sobre o bom, poupando o mau. Parece recuar, rechaçado pela ciência, mas volta sob outra face, mais poderoso e mais sutil? Eu não entendo. O sofrimento é odioso, me faz medo, pois Senhor, por que estes e não os outros? Por que estes e não eu?

Menino! Não fui eu teu Deus, que quis o sofrimento, foram os homens. Sussurrou-me aos ouvidos uma voz interior. Introduziram-no no mundo quando introduziram o pecado, pois o pecado, é uma desordem e a desordem faz o mal. A todo pecado, vês?, corresponde em algum lugar do Mundo, e do Tempo, um sofrimento. Mas, meu filho, eu vim ao mundo, tomei-os todos, os vossos sofrimentos como tomei vossos pecados. Tomei-os todos, sofri antes de vós. Transformei-os, transfigurei-os, fiz deles um tesouro. Ainda são um mal, um mal que serve, porém, saibam que de vossos sofrimentos Eu fiz a redenção. Dando um último suspiro exclamou: “Pai em vossas mãos entrego-vos o meu Espirito”.

Dentro daquele hospital, observando o sofrimento de uns, a agonia de outros, as dores no silêncio de cada um dos ali viventes compreendi que o sofrimento é um mistério que só sob a Luz da Fé pode ser esclarecido. O mal do mundo não é vontade de Deus. Nós os homens, seres humanos criados à imagem e semelhança de Deus, não nascemos para sofrer, entretanto, menosprezamos os planos de Deus a todo o momento: isto é o pecado. O pecado desequilibra os homens e o universo. O próprio homem fez nascer o sofrimento. Mas o Cristo veio consertar a desordem. Do sofrimento inútil ele fez o próprio objeto da Redenção.

Depois que sai do hospital, a tarde inteira, os rostos dos doentes e sofredores obcecaram-me. Vi em cada um deles o rosto de Cristo desfigurado, esfacelado. A cabeça envolvida por uma coroa de espinhos de nossos orgulhos e insensatezes.

Se soubéssemos escutar Deus, se soubéssemos olhar a vida, toda vida se tornaria uma oração. Já pensou nisso? No hospital também é assim. A vida ali existente são de pessoas, às vezes, desesperadas, sem esperanças e muita esperança em ser plenamente curados, em corpo, alma e espírito. Os olhares de esperança no médico, nas enfermeiras e enfermeiros são a esperança de viver. Porém, a esperança em Deus é inigualável. A presença de uma simples visita é o alívio de que a esperança existe. A oração ali proferida em palavras divinamente inspiradas é o bálsamo que serve, antes de tudo como um traço-de-união com o céu.

Visite você também um hospital, ainda hoje. Se soubéssemos olhar a vida com os olhos de Deus, toda a vida seria como um oceano: inúmeros gestos de amor do Criador em busca do amor de suas criaturas. E lá, no hospital da vida também estão as criaturas de Deus, nossos irmãos. Por isso repito: visite, ainda hoje, um hospital, porque o sofrimento é um mistério e, mistério de Deus nem Santo Agostinho, doutor da igreja, com toda sua sabedoria conseguiu decifrá-lo. Pense nisso.

 

Ótima semana para todos!!! 






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