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Romeu Zema (Novo) é eleito governador de Minas

 

O empresário Romeu Zema (Novo) será o novo governador de Minas Gerais. Com 74% das urnas apuradas, Zema tem 71,28% dos votos contra 28,72% do candidato Antonio Anastasia (PSDB). A vitória confirma a larga vantagem que o candidato do Novo apresentava nas pesquisas ao longo de todo o segundo turno, após a surpreendente vitória em primeiro turno, com 43,05%. 

Durante toda a campanha, Zema admitiu que não conhecia os detalhes da administração pública e que não hesitaria em mudar propostas em seu plano de governo. “Sou novato, mas estou aprendendo e vou mostrar que sei fazer melhor do que os políticos experientes.” 


Natural de Araxá, cidade do Alto Paranaíba, o empresário de 54 anos, completados ontem, apostou na cobrança por mudança da população e no crescente sentimento de rejeição aos políticos tradicionais para vencer as eleições. “As pessoas estão cansadas dos políticos de sempre. Eles não entenderam que as velhas práticas não têm mais espaço com o eleitor”, avaliou Zema durante ato de campanha. 

O empresário se candidatou pela primeira vez a um cargo público após receber convite do Partido Novo para disputar o Palácio da Liberdade. Bisneto de Domingos Zema, fundador do Grupo Zema, o empresário ficou quase três décadas à frente do grupo, que tem mais de 400 lojas espalhadas pelo estado, com 5 mil funcionários e faturamento anual de cerca de R$ 3 bilhões. Durante a campanha, no entanto, veio à tona sua filiação ao PR por 18 anos. Ele afirmou que não se lembrava de ter assinado a ficha do partido e que jamais participou de qualquer evento da legenda. 


Zema é o mais velho de três irmãos e começou a ajudar nas lojas do seu pai ainda criança, com 11 anos. Trabalhou como officeboy, estoquista, caixa e vendedor. Após se formar em administração pela Fundação Getulio Vargas (FGV), em São Paulo, fez especialização em Harvard, nos Estados Unidos. É divorciado e pai de dois filhos, um estudante de engenharia de 22 anos, que mora na capital paulista, e uma filha de 25, que vive em Londres, no Reino Unido. Apesar de ser o candidato ao governo de Minas com o maior patrimônio (R$ 69,7 milhões) declarado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Zema teve gastos bem menores em comparação com as campanhas do governador Fernando Pimentel e do senador Antonio Anastasia. Enquanto o petista, derrotado no primeiro turno, desembolsou R$ 6,6 milhões e o tucano, R$ 10,6 milhões, Zema gastou R$ 2,4 milhões. Em sua campanha, Zema frisava sempre que “colocou o pé na estrada” para visitar centenas de cidades. 

O então candidato do Novo soube aproveitar o momento de descrença de grande parte da população com políticos, se apresentando como um outsider. Com forte sotaque do interior mineiro, prometeu a redução das secretarias e o corte de 80% nas indicações políticas. “Gastar menos do que ganha, essa experiência de gestão eu tenho e é essa experiência que vai consertar Minas Gerais. É acabar com as mordomias e privilégios dos políticos, ter uma gestão eficiente, sem puxa-sacos. É essa experiência que vou levar para o setor público”, afirmou Zema em sua propaganda eleitoral. 


Fora dos debates

Com pouco espaço na propaganda eleitoral de televisão e de fora dos debates no primeiro turno por seu partido não atender aos requisitos mínimos da legislação, Zema aproveitou o único debate no qual participou para pedir voto ao então candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro (PSL). A partir de então, cresceu rapidamente nas pesquisas eleitorais, vencendo o primeiro turno com 44% dos votos válidos. 

Assessores próximos de Zema minimizaram a declaração de apoio a Bolsonaro como fator decisivo para o crescimento do candidato, mas admitem que a “onda bolsonarista” que cresceu no final do primeiro turno influenciou o surpreendente resultado das urnas. “Vamos discutir para o resto da eternidade se a declaração pedindo voto para Amoêdo e Bolsonaro teve tanto impacto e foi assim tão relevante. Foi uma declaração feita à 1h da madrugada. Mas claro que teve impacto”, avalia o vereador Matheus Simões (Novo). A referência ao capitão reformado foi considerada “inaceitável” pelo diretório nacional do partido, mas a situação foi contornada rapidamente. 

Na campanha para o segundo turno, Zema voltou a declarar voto no capitão reformado do Exército e participou de atos em favor de Bolsonaro. Mesmo sem receber o apoio formal do PSL (a legenda declarou neutralidade em Minas), o empresário mineiro lançou o bordão “Bolsozema” para pedir votos para ele e para Bolsonaro. A tática deu certo e Romeu Zema chega ao Palácio da Liberdade quatro meses depois de aparecer nas primeiras pesquisas eleitorais com apenas 2% das intenções de voto.


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