Depois do temporal da noite de domingo (1º), que provocou mais uma enchente na avenida Tereza Cristina, moradores e comerciantes dedicam a segunda-feira (2) aos trabalhos de limpeza e avaliação dos prejuízos. Como o metalúrgico Emiliano Pedrosa, que vive há mais de 50 anos na avenida, próximo à alça de acesso ao bairro Betânia, na região Oeste de Belo Horizonte.

No muro do domicílio, é possível ver a marca deixada pela água, com cerca de meio metro de altura. A enchente atingiu o carro dele. “Temos prejuízos constantes. Toda vez em que chove muito, a água do córrego Ferrugem sobe com velocidade e entra para a avenida”, contou.

 

Segundo ele, essas enchentes não aconteciam de maneira tão perigosa quando sua família mudou para o local, há mais de 50 anos. “Mas foram pavimentando tudo e os bueiros não dão conta de escoar toda a água da chuva”, disse Emiliano. A avenida Tereza Cristina teve de ser bloqueada durante a forte chuva da noite de domingo

emiliano pedrosa avenida tereza cristina

Emiliano mostra a marca deixada pela água durante a enchente de domingo

Enquanto o metalúrgico trabalhava na limpeza de sua casa, funcionários da Prefeitura de Belo Horizonte retiravam lixo dos bueiros da avenida Tereza Cristina. Ao longo de vários quarteirões, dezenas de trabalhadores atuavam na limpeza dos bueiros e das vias. Até mesmo um carro que foi arrastado pela correnteza podia ser visto às margens da via, completamente destruído pela força da enchente. 

O empresário Márcio Vilaça, dono de uma oficina mecânica, explicou que não teve prejuízos porque já fez seu empreendimento com um metro de altura acima da rua. Para ele, uma solução para a enchente poderia ser um melhor escoamento da água empoçada na avenida para o rio Arrudas. “Quando a água do Ferrugem sobe, ela vem para a avenida e não consegue descer para o Arrudas por causa das muretas. Aí você vê que a água no rio nem está tão alta, mas mesmo assim a avenida está inundada”, relatou.

Rastro de destruição

A situação foi mais crítica no encontro das avenidas Tereza Cristina com Presidente Castelo Branco, na Cidade Industrial, em Contagem, na Grande BH. Por lá, a chuva deixou um grande rastro de sujeira, além de buracos nas vias. Agentes da Transcon tiveram de atuar no cruzamento, pois o semáforo ficou desligado após o temporal.

Na Vila São Paulo, os moradores mais uma vez foram testemunhas da enchente. Dona Célia Gomes, que mora no alto da vila, diz que toda vez em que chove intensamente, a região vira um caos. A filha dela viu quando um homem ficou ilhado em cima do carro durante a enchente de domingo. O veículo foi arrastado pela correnteza; o homem pulou do carro; foi resgatado, com escoriações, e levado pela Guarda Municipal até a UPA Oeste, de acordo com o Corpo de Bombeiros.