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Bom dia - Itabira, segunda, 17 de fevereiro de 2020 Hora: 11:02
Notícias
Febre na internet, 'brincadeira da rasteira' preocupa médicos e pais; uma jovem já morreu

 

Uma "brincadeira" de extremo mau gosto, cujo objetivo é dar uma rasteira em um dos participantes enquanto ele pula, tem assustado médicos, pais e responsáveis de crianças e adolescentes. A prática, que pode provocar sequelas e até matar, tem ganhado destaque nas redes sociais.

Na última sexta-feira (7), uma jovem de Mossoró (RN), morreu após "brincar" na escola. Emanuela Medeiros, de 16 anos, sofreu traumatismo craniano. Ela foi levada a um hospital, mas não resistiu. A menina foi enterrada nessa terça (11).

De acordo com Wagner Lemos, presidente da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, regional Minas, o ato é grave devido à forma da queda e o local que pode ser lesionado.

"Se o trauma ocorrer no crânio, o paciente terá um Trauma cranioencefálico (TCE), com limitação de movimentos e perda da sensibilidade. Se for na região cervical (pescoço), haverá dano à coluna medular, que fará a pessoa perder o movimento dos braços (paraplegia) ou dos braços e pernas (tetraplegia)", explicou. 

Emanuela Medeiros

Emanuela Medeiros morreu após participar de "brincadeira"

Segundo o especialista, é importante relembrar que essas brincadeiras envolvem não apenas crianças e são ainda piores quando há o consumo de álcool. "Nosso trabalho também foca em campanhas de prevenção contra acidentes em geral, em piscinas, envolvendo brincadeiras e ingestão de bebidas. Não é incomum encontrarmos nos pronto-socorros de BH pessoas com traumas graves oriundos desses atos", disse.

Lemos ainda reforça ser "extramente importante" conscientizar a população. "De maneira nenhuma isso é engraçado. É grave e pode gerar morte, como gerou".

Diálogo é solução

O engenheiro de produção Antônio Afonso Alves, de 50 anos, é pai de um garoto de 13 anos. Para ele, a "brincadeira" é especialmente preocupante porque pode ocorrer nas escolas, em um período em que os adolescentes costumam ser influenciados pelos colegas.

Arquivo pessoal

Antônio e o filho, Vinícius Afonso

"Em uma tentativa de se encontrarem, de saberem onde eles se enquadram ou se adaptam nos grupos, eles acabam, por vezes, indo 'na onda' dessas brincadeiras", disse. O contra-ataque a essa realidade vem com diálogo aberto e franco sobre essa e outras questões.

"Assim que recebi o vídeo ou mesmo quando recebo outros, que ridicularizam pessoas, eu mostro imediamente ao meu filho e o oriento sobre os assuntos", complementou Antônio, que é morador do bairro Nova Gameleira, na região Leste da capital.


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