Tatiana Santos
A data de 1º de dezembro é marcada como o Dia Mundial de Luta Contra a Aids. No Brasil, a estimativa é de que 650 mil homens e 350 mil mulheres vivam com o vírus, totalizando um milhão de pessoas. De acordo com o médico infectologista Marcello Fontana, de Itabira, a epidemia de Aids foi identificada a partir de 1980, com vários casos de pacientes adoecendo no mundo todo.
Ao longo das décadas de 1980 e 1990 houve a fase crítica da epidemia, com explosão de casos, inclusive, no Brasil. Até então, não havia muito conhecimento sobre a doença nem muitas opções de tratamento, mas o preconceito era grande, pelo fato de a sociedade ligá-la ao público homoafetivo.
Várias pessoas conhecidas, como o cartunista Henfil, o ativista Betinho, a atriz global Sandra Brea morreram da doença. Os cantores Cazuza e Renato Russo foram alguns dos últimos artistas que perderam a vida pelo HIV no país. Em 1987, surgiu o primeiro tratamento: o AZT (azidotimidina), que sozinho nunca foi muito eficaz.
Entenda
Ainda segundo dr Fontana, uma coisa é a pessoa ter o vírus no sangue, descrito como HIV positivo. “Agora, Aids quer dizer o quê? É a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida. A Aids nada mais é do que a fase avançada do HIV, que o paciente tem uma síndrome com sinais e sintomas”, esclarece. Esses sinais são: emagrecimento com perda de peso abrupta, febre, diarreia, infecções. A pessoa começa a definhar, ficar muito prostrada, e se não receber tratamento, morre de infecções oportunistas.
Tratamentos melhores
Se antes os tratamentos eram menos eficientes, hoje, a medicina evoluiu muito. Conforme o infectologista, a partir de 1996, surgiu a era moderna do tratamento do HIV/AIDS, que são os coquetéis de alta potência, ou seja, as terapias antirretrovirais. “Geralmente, são combinações de três drogas. Isso já está desde 1997 no Brasil essa terapia. A partir desses últimos 26, 27 anos, de 1997 para cá, houve uma revolução no tratamento, onde o vírus pode ficar, na grande maioria dos pacientes, indetectável”, detalha.
O que isso quer dizer? O profissional explica que, zerado no sangue, mediante um tratamento correto, o HIV responde como uma doença crônica, como o diabetes e a pressão alta, em que o paciente leva uma vida quase normal. “Eu não posso dizer normal 100%, mas próximo ao normal, próximo a quem não tem a doença. Depende então da responsabilidade do uso diário e contínuo do tratamento”.
O infectologista lembra que a Aids hoje é uma doença crônica, tratável e o paciente é passível de viver décadas mediante cuidados. O médico bate na tecla da responsabilidade com o tratamento: “É se cuidar. Se cuidar diariamente. Não pode deixar de tratar. Não pode deixar de tomar o remédio. Não pode tomar o remédio e ver que o vírus sumiu no sangue, estou curado. Parou de fazer o tratamento, o vírus multiplica-se rapidamente”, alerta, fazendo uma analogia: “É igual a pipoca na panela. Ele multiplica-se em poucas semanas e a doença volta a atacar, se a pessoa não seguir o tratamento diário”, deixa a orientação.
Como evitar o contágio:
-Usar preservativo em todas as relações sexuais, incluindo as orais, anais e vaginais
-Não compartilhar agulhas, seringas ou outros objetos perfurocortantes
-Usar luvas para manipular feridas e líquidos corporais
-Testar sangue e hemoderivados antes de transfusões
-Fazer testes regulares para HIV e outras ISTs.