Tatiana Santos
Há muito tempo que o futebol deixou de ser um esporte exclusivamente voltado ao público masculino, com muitas mulheres desempenhando o papel dentro de campo com excelência. Prova disso é a jogadora de 16 anos, Letícia Mara Santos Totô, itabirana que começou a jogar com apenas 4 anos de idade. Atualmente integra a categoria de base feminina do Corinthians.
Vinda de uma família apaixonada por futebol pelo lado do pai, tios e primos, ela começou a jogar na escolinha do tio Zezinho Totô. Depois, no Rivas Sports, onde ficou por 10 anos. O ex-jogador profissional e dono da escolinha, Riva, era amigo do genitor de Letícia, o que o tornou mais especial. “Ele era amigo do meu pai, então foi mais fácil o acolhimento e tudo. Riva foi um pai para mim também”, recorda.
Letícia está no famoso clube de São Paulo desde 2024. No dia 30 de maio de 2025, a jovem levou pelo Corinthians, a bandeira do Brasil no amistoso para a Copa América contra o Japão. Sua ida para o time passou pelo Atlético Mineiro em 2023, durante seis meses, até encerrarem a base do clube. Com a experiência, ela foi chamada, por indicação de seu treinador no Galo, a compor a equipe corintiana.
O convite a surpreendeu muito: “Para ser bem sincera, eu não esperava, não. Foi um susto, até porque, eu estava numa fase muito abalada, pelo encerramento das categorias de base do Atlético. Já não tinha esperança”, relembra a itabirana. De repente, o ex-treinador disse que o técnico do Corinthians (agora seu treinador), gostou muito de seu estilo de jogo quando havia enfrentado o time corintiano.
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Desafio
A adolescente mora em um alojamento e diz que a distância familiar é seu principal desafio. Para debelar a saudade, Letícia conta com a compreensão e apoio dos treinadores, que entendem quando ela ou as colegas estão passando por algum momento delicado e precisa ligar para a família ou ir em casa.
Sobre a entrada com a bandeira brasileira no amistoso, ela esclarece que a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) convidou o Corinthians a sortear uma atleta para carregar a flâmula nas costas. Letícia foi a sortuda e resume o momento: “Foi uma experiência incrível. Foi uma experiência única”. Apesar de estar na base, a itabirana sempre “tromba” com atletas do profissional, e segundo a jogadora, eles sempre se mostram gentis e atenciosos.
Sonho de cruzar o continente
Mas nem só de futebol vive uma atleta. Letícia estuda pela manhã e dedica entre três e cinco horas por dia aos treinos. Mesmo com a rotina puxada, a itabirana acredita que representar sua cidade natal fora é uma responsabilidade que carrega, mas também se sente privilegiada por ter conquistado a oportunidade de jogar em um grande clube. Ela explica o motivo: “Porque eu acredito que há várias meninas que têm potencial, mas que não têm oportunidade. E eu sinto que eu fui privilegiada de ter essa oportunidade”.
Descrevendo-se como uma Letícia alegre e divertida, mas que sabe o momento de ser séria para não perder o controle, a atleta diz que seus sonhos são os mesmos de grande parte dos atletas de base: estar em uma seleção profissional, e um dia, jogar no continente europeu. Para isso, ela se mostra resiliente, e mesmo quando vem o desânimo, conta com o apoio dos familiares, amigos, e do clube para vencer essas barreiras. “Eu acho que todas as atletas passam por esse momento de dúvida. Mas se erguem e continuam”.
Enquanto não recebe um convite para atuar na Europa, a jovem mantém o foco, o pé no chão, e aproveita a oportunidade no Corinthians para aprender, deixando o tempo determinar seu caminho no futebol. “O meu foco é aqui. Eu pretendo permanecer aqui, porque ainda não almejei tudo que eu queria no clube, e espero conquistar muita coisa aqui”, diz a determinada Letícia Mara.








