Tatiana Santos
A comunidade escolar aprovou e a Escola Estadual Professora Marciana Magalhães, localizada no bairro Gabiroba, e Escola Estadual Major Lage, no Pará, ambas em Itabira, aderiram ao programa de gestão cívico-militar. A aprovação aconteceu durante assembleias realizadas na noite dessa quarta-feira (09/07), nas respectivas instituições de ensino.
Escola que atende ao maior bairro de Itabira, a Marciana Magalhães obteve um total de 501 votos favoráveis, apenas 21 contra a mudança, sendo um branco e um nulo. Já no Major Lage foram contabilizados 232 a favor, 11 contrários e 10 votos brancos. Participaram da eleição, alunos a partir dos 14 anos, pais e responsáveis, servidores e comunidade escolar.
A reportagem apurou que na escola Marciana, por exemplo, a votação aconteceu sem intercorrências, contando com mais de 550 pessoas. Segundo a professora Wislaine, que esteve na assembleia, “a comunidade escolar veio em peso e foi uma votação muito tranquila. Em alguns momentos, em algumas salas em que houve a votação, teve que ter um apoio extra por causa da quantidade de pessoas”, relatou. A reportagem procurou a diretora do Major Lage, Tatiana Amaro Silva, mas até o momento, não obteve retorno.
Durante as assembleias, foi realizada a apresentação do programa. O momento foi dedicado à escuta democrática da comunidade escolar para esclarecer as principais dúvidas, apresentar experiências já em curso no estado e dialogar sobre a viabilidade da implementação.
Mais quatro escolas em Itabira ainda decidirão
Nesta quinta-feira (10), outras duas escolas farão a votação: a Escola Estadual Mestre Zeca Amâncio (Eemza) e a Escola Estadual Antônio Linhares Guerra. Já a Escola Dona Eleonora Nunes Pereira, no bairro Areão, e Palmira Morais, no Colina da Praia, não divulgaram a data das assembleias. A data limite para manifestação de interesse por parte das instituições é até 18 de julho.
Quando será a implantação?
A partir de agora, as escolas que aderiram ao programa, seguirão um cronograma específico de implantação, a ser definido de acordo com a viabilidade técnica, de orçamento e logística. A estimativa é de que a implantação aconteça a partir do início do próximo ano letivo, mas, a data poderá variar de acordo com a escola e os critérios da Secretaria de Educação. A média é de um militar para cada 150 estudantes.
Saiba mais sobre o programa
O modelo cívico-militar é uma proposta de gestão compartilhada para o fortalecimento da educação pública, resultado de uma parceria entre a Secretaria de Estado de Educação (SEE/MG), o Corpo de Bombeiros Militar e a Polícia Militar de Minas Gerais. Segundo a SEE, é uma política educacional estruturada no diálogo, cooperação institucional e valorização do papel da escola. Se propõe a fazer uma gestão integrada, com foco na promoção de valores cívicos, éticos e na organização do ambiente escolar, sendo um complemento ao modelo de ensino já existente.
O questionamento de muitas pessoas é se o programa é a militarização da escola. A Secretaria de Educação afirma: “Não, o programa não visa militarizar a escola. Os profissionais militares atuam
como colaboradores em atividades cívico-pedagógicas, focando no apoio à gestão e à convivência, sem assumir funções pedagógicas ou interferir no currículo”, diz a nota. Inclusive, toda a docência e o desenvolvimento do currículo continuam sob total responsabilidade da equipe pedagógica da escola. Portanto, os militares não atuam na sala de aula como professores.
Entidade questiona o programa
O Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG) se manifestou contrariamente ao modelo, expressando que a proposta está tentando “substituir projetos pedagógicos e a autonomia das comunidades escolares por uma lógica hierárquica e autoritária, baseada numa presença ostensiva de militares que pouco dialoga com as reais necessidades de alunos, famílias e profissionais de educação”.
Segundo informe disponibilizado pelo sindicato, a entidade destacou que “não é com presença militar nas escolas que se melhora a qualidade do ensino, mas sim com investimentos reais: valorização dos educadores, melhoria da infraestrutura, redução do número de alunos por sala e ampliação das políticas de cultura e esporte”.