Justiça fiscal, fim da escala 6×1 e soberania

O Brasil quer decidir

Você é a favor da redução da jornada de trabalho sem redução salarial e do fim da escala 6×1? Você é a favor de que quem ganha mais de R$ 50 mil por mês pague um pouco mais de imposto, para que quem recebe até R$ 5.000 não pague Imposto de Renda (IR)?

Essas perguntas não são abstratas ou ideológicas: elas tocam o cotidiano da imensa maioria do povo brasileiro. Segundo a Relação Anual de Informações Sociais (Rais) de 2023, cerca de 33,5 milhões de trabalhadores vivem sob a lógica exaustiva da escala 6×1, e mais de 90 milhões seriam beneficiados com uma mudança no Imposto de Renda que aliviasse os de baixo e cobrasse mais dos de cima.

A proposta do Plebiscito Popular, iniciativa construída por movimentos sociais, centrais sindicais, juventudes, artistas, coletivos culturais, setores religiosos e partidos progressistas, quer justamente levar esse debate à base da sociedade. Os pontos de partida são a PEC 8/2025, da deputada Erika Hilton (PSOL), que propõe o fim da escala 6×1, e o Projeto do Lei (PL) do governo Lula, encaminhado ao Congresso Nacional, que propõe a mudança na cobrança do Imposto de Renda, beneficiando a população que recebe menores salários.

Nos últimos dias, o cenário político nacional escancarou ainda mais o abismo entre os interesses da população e os de uma elite protegida por um Congresso refém dos super-ricos. A chamada “crise do IOF”, em que deputados tentaram sabotar a taxação de grandes operações financeiras e blindar os seus próprios privilégios, demonstrou o quanto o sistema tributário está capturado por uma lógica de autopreservação da elite. Não à toa, as redes foram tomadas por uma forte campanha, protagonizada pela esquerda, denunciando o papel cumprido pelo Congresso Nacional.

O Brasil também volta a ser alvo de chantagens externas. O presidente dos EUA, Donald Trump, em um gesto típico de sua política agressiva, anunciou uma taxação de 50% sobre produtos brasileiros a partir do mês de agosto. O anúncio foi feito em uma carta que condicionou diretamente a suspensão das tarifas à concessão de anistia a Jair Bolsonaro e aos envolvidos no 8 de Janeiro. Uma chantagem internacional escandalosa, apoiada e articulada pelo bolsonarismo, que afronta a soberania brasileira e mostra o quanto a extrema direita global segue operando em rede para proteger seus interesses.

Diante disso, fica ainda mais evidente que a construção de iniciativas populares é urgente e necessária. O Plebiscito Popular é uma ferramenta potente, não apenas para pressionar o Congresso, mas para aprofundar a consciência coletiva e disputar corações e mentes.

Os comitês populares estão sendo organizados em todos os estados do Brasil. Entre julho e setembro, milhares de urnas estarão espalhadas pelo país, em igrejas, escolas, feiras, praças e favelas. A votação é voluntária, e o resultado será levado ao Congresso Nacional, ao STF e ao presidente Lula como expressão concreta da vontade popular. Em Belo Horizonte, as agendas estão sendo divulgadas pelo perfil @plebiscitopopularmg, no Instagram.

A luta pelo fim da escala 6×1, pela isenção do IR para quem ganha até R$ 5.000 e pela taxação dos super-ricos é muito mais do que um debate técnico. É um projeto de país. Por um Brasil que respeite o trabalhador, que enfrente a histórica concentração de renda e que diga com todas as letras: a democracia não pode ser um privilégio da elite. O Plebiscito Popular não é apenas uma consulta. É um processo pedagógico. É a retomada do fio da história por um povo que quer ser protagonista do seu destino. É hora de ir pra cima!

Fonte: O tempo

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