Tatiana Santos
O projeto social Jiu-Jitsu Cidadão está sendo reativado e abriu inscrições para novos alunos com idades entre 5 e 16 anos em Itabira. A iniciativa deve abranger 60 integrantes e terá início ainda em setembro. O projeto foi criado pelo atleta e empresário Hagner Barbosa em 2018, em parceria com outros três atletas, mas pausou devido à pandemia. O projeto será desenvolvido na quadra do bairro Bela Vista. Os tatames já foram adquiridos, o guarda-corpo do espaço já está pronto e as crianças receberão gratuitamente o kimono, a camisa e a faixa de troca de graduação.
De acordo com Hagner, o Jiu-Jitsu Cidadão não é apenas sobre esporte, mas envolve a criança e adolescente em sua vida diária como cidadão, começando pelas notas na escola, que devem ser acompanhadas pelo projeto. “É quando você se envolve com a sociedade e não só com o esporte. Um projeto social, a nossa intenção é que a cada uma hora de tatame, ele [o aluno] tenha uma hora de aula particular para fazer tarefa”, adianta. Ele comenta ainda que caso o aluno não tenha notas boas, não poderá lutar até recuperá-las, o que significa que os meninos devem se esforçar não somente no tatame, mas também no boletim e dentro de casa. No projeto haverá um professor de aula particular, lanche para as crianças, o kimono, o tatame.

Como os custos são altos, a Vale e alguns empresários apoiam a iniciativa com a adoção de crianças. Hagner adianta que pretende abrir um Jiu-Jitsu Cidadão em cada bairro da cidade e já trabalha para que isso aconteça. “Hoje é nosso sonho. Tem verba para isso, tem jeito de fazer isso. Primeiro, tirar as crianças, as meninas, ensinar para elas defesa pessoal, treiná-las para poder ser melhor, ser um cidadão melhor. Eu falo lá na academia que a gente não forma lutador, a gente forma líderes”. Ele lembra que 50 crianças que integravam o projeto chegaram a participar de competição em Belo Horizonte, conquistando o primeiro lugar na etapa da competição. O coordenador do projeto é Kayk Moreira, de 21 anos.
Uma vida inteira no tatame
O próprio Hagner luta desde os seus 7 anos. Já foi aluno do mestre Martinho Francisco no Taekwondo, que é referência no esporte itabirano. Também já disputou vários campeonatos nos Estados Unidos. Ele, inclusive, conquistou a oportunidade de trabalhar com defesa pessoal em terras norte-americanas. É proprietário da Academia Gracie Barra Itabira. Já Kayk começou na arte marcial ainda adolescente, por iniciativa do padrasto que já era praticante. Desde então, segue no esporte juntamente de Hagner, com quem treina até hoje.
O aspirante a faixa preta diz ter percebido o impacto do jiu-jitsu em sua vida quando se formou no ensino médio e sentia que era um momento decisivo sobre qual faculdade escolher, pois não tinha clareza do caminho a seguir: “Às vezes a gente esquece que aprendemos uma arte marcial, uma defesa pessoal, mas a gente também aprende uma profissão. E é isso que eu adotei para a minha vida hoje”. Atualmente, Kayk é instrutor na Gracie Barra e professor em escola de inglês. “Então o jiu-jitsu, além de me dar autoconfiança, me formou um profissional. Hoje eu vivo da arte marcial e tenho maior orgulho e prazer disso”, revela. Informações pelo Instagram: Academia Gracie Barra Itabira. Telefone: (31) 9 8558-8885.