Tatiana Santos
Itabira é a terra da poesia, onde tudo que o que se toca vira verso. E o coletivo A Rosa do Povo foi criado para confirmar essa afirmação. Criado em 2017 pelo professor Lucas Costa, juntamente do projeto cultural Drummonzinhos, o nome tem inspiração no livro de Carlos Drummond de Andrade. Há dois anos à frente do coletivo, Pedro Vítor, popularmente conhecido como Vitinho, explica que o objetivo é levar a batalha de poesia falada (slam) para todos, onde tem espaço qualquer pessoa que queira contar suas vivências de maneira poética. Atualmente, o coletivo conta mais três integrantes, além de Vitinho: Ana Clara (fotografia e audiovisual), Mara (suporte) e Victória Panta (poeta).
Ao contrário do movimento freestyle/rima, a batalha de slam não segue um roteiro prévio e os participantes apresentam poesias de sua própria autoria, usando apenas seu corpo e sua voz, em até três minutos. Os slammers de Itabira apreciam falar de amor, mineração, das paisagens locais e fazer críticas sociais.
Normalmente, os encontros ocorrem pelas ruas da cidade, sendo um dos locais preferidos a Praça Acrísio Alvarenga, que é onde o movimente teve início há oito anos atrás. Apesar de serem realizados na região central, há um desejo de descentralizar essa cultura para bairros mais afastados de Itabira: “Agora a gente está trabalhando com isso, queremos levar para as regiões mais periféricas também. Na verdade, a nossa intenção é sempre trabalhar com esse público. Por exemplo, a maioria dos nossos poetas são periféricos. Eu, particularmente, nasci e cresci no Chapada”, comenta. Ainda que a maioria dos adeptos sejam dessa realidade, levar os eventos para a periferia implica na dificuldade de deslocamento de pessoas de outros bairros, motivo pelo qual o centro ainda é a referência.
Mesmo sendo uma cultura periférica, segundo Vitinho, não há distinção de público e todos podem participar, independente do estilo ou da roupa que estiverem trajando. Muitos ficam acanhados de chegar, mas nada que um incentivo não resolva: “Muitas ficam meio tímidas de chegarem. Normalmente quando chega alguma pessoa, eu, particularmente, converso, falo que o espaço é para todo mundo, um espaço público para falar da sua verdade”. Para acompanhar os movimentos e as divulgações do coletivo, acesse o Instagram: @slam_arosadopovo.
Representando Itabira
Victória Panta é uma das adeptas do slam em Itabira. A jovem tem apenas cinco meses de coletivo, período em que teve sua primeira experiência com a poesia. Experiência essa que marcou sua vida, já que escreveu sua primeira poesia incentivada pelo namorado Grilo e por Vitinho, da qual homenageou o avô já falecido apelidado de Bigode, seu convívio com o idoso e a saudade que ficou.
Esta foi uma das poesias mais significativas para a slammer: “Essa poesia foi a primeira de muitas que eu comecei a escrever, e eu diria que é uma das mais sentimentais que tenho, foi muito incentivada para eu poder escrever, dentro de uma realidade que eu queria muito expor, só que eu não consegui em palavras, em conversas mesmo cotidianas. Então, eu usei a poesia para conseguir externalizar essa minha vivência”.
Com desenvoltura, e sustentando a bagagem de ser mulher no movimento poético de rua, entre os dias 30 de outubro e 2 de novembro, Victória representará Itabira no Slam MG 2025/Edição Vale do Aço, que ocorrerá em Ipatinga e Timóteo. Ainda sem acreditar, mas com muita expectativa, a ficha da jovem ainda não caiu: “Particularmente, eu estou meio incrédula até agora de que vou representar Itabira, porque sou uma poeta muito nova dentro do cenário de Itabira, e também porque foi minha primeira vitória ir para o estadual”. Como uma das únicas representantes do sexo feminino em Itabira, Victória sabe de sua representatividade: “Uma responsabilidade tão gigantesca, como se eu estivesse carregando o mundo nas costas, sabe? E é uma coisa que eu fico muito grata”, finaliza.