Tatiana Santos
A campanha Outubro Rosa se encerrou, mas a conscientização, não. A Associação Oncoviva, que promove acolhimento e suporte a pessoas com doenças oncológicas, realizou diversas ações de enfrentamento ao câncer de mama em Itabira e região, e iniciou as mobilizações do Novembro Azul.
Durante o mês que passou foram realizadas 42 ações contabilizadas até o dia 30, nas quais ocorreram campanhas educativas, conscientização e apresentação da associação para o público, focando em atrair visibilidade, parceiros e doações. Voluntários compareceram em rádios, PSF’s de Itabira e cidades vizinhas, em escolas, eventos nas igrejas, em corridas de rua, além de bitze na Câmara Municipal. Também atuaram na Parada Legal da Rádio Pontal, em parceria com voluntários da Vale.
A professora universitária e voluntária da Oncoviva, Carla Júnia Santos, acrescenta que várias empresas de diferentes portes e segmentos também receberam associados para conscientização sobre o autocuidado. Com tamanho engajamento de campanha, a educadora manda o recado: “Já aproveito para convidar empresas e qualquer pessoa que sente que esse nosso trabalho possa ser levado para sua comunidade. No mês de novembro estamos com a agenda aberta e podemos levar essas nossas campanhas educativas para qualquer lugar”. O contato deve ser feito pelo Instagram da associação: @OncoViva
Novembro Azul
De acordo com a voluntária, neste mês de novembro as ações continuarão com a mesma intensidade. Além das visitas, haverá a inauguração do Espaço Acolhedor, que é um container destinado ao suporte aos pacientes em tratamento oncológico e seus acompanhantes. O serviço de apoio está localizado ao lado do Hospital Nossa Senhora das Dores (HNSD). Na programação do mês, ainda está prevista a caminhada do Novembro Azul com voluntários da Vale. As datas das ações serão definidas.
Rompendo em fé
A itabirana Maria da Luz é a prova viva de que a fé remove montanhas e é complemento essencial à ciência nas situações difíceis. Há cinco anos, ela tem tratando o câncer de mama, que descobriu por acaso, ao sentir forte dor no pescoço e suspeitar de problema na coluna. Quando recebeu o diagnóstico, em choque e com medo, saiu do consultório pelas ruas de Itabira em lágrimas. “Aquela hora que eu recebi a notícia só descia lágrima no meu olho. Aí eu só pensei em Deus e falei para o Senhor me segurar”. Segundo ela, o processo foi muito difícil, até mesmo pela dificuldade de encontrar ônibus para ir aos exames durante a pandemia (às vezes mais de 30 na semana). Era acompanhada pela filha, o marido ou a sobrinha.
Inicialmente, Maria da Luz amedrontou, achando que não aguentaria todo o processo, mas ela conta que levantou a cabeça, pediu mais forças a Deus e levou a situação até com bom humor, surpreendendo a todos. Fez a cirurgia da mama, ficou careca, sem sobrancelhas, com a pele enrugada, mas nada disso a abalou, pois contou com o apoio e as orações da família e dos muitos amigos que tem.
Maria chegou a ser questionada se passou mesmo pelo câncer e ofereceu a mostrar as marcas. “Uma moça disse para mim: ‘Ah, não, você não teve o câncer de mama’. Perguntei se ela queria que eu mostrasse, porque ela não estava acreditando e disse: ‘Ah, mas você é tão bem-humorada, a gente está vendo o jeito seu, alegre’. A gente não pode se abater com essa doença. Porque se você abaixar a cabeça e ficar triste, é pior”, recorda.
Hoje dona Maria está em acompanhamento, descobriu alguns nódulos no pulmão e está sendo tratada. Com a mesma positividade e fé está lidando com o fato e até ajudando outras na mesma situação. Segundo ela, “procurando sempre levar uma palavra amiga quando eu estou sabendo que as pessoas estão começando o tratamento agora, que não é fácil. Agora estou mais preparada”.
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