Tatiana Santos
Entre os dias 15 e 26 de novembro, acontecem no Japão, as Surdolimpíadas de Verão 2025 (Olimpíadas para Surdo). A competição contará com a participação do atleta itabirano de Taekwondo, Samuel Dreyfus, que partirá rumo à terra do sol nascente nesta segunda-feira (17). O esportista competirá na categoria até 68 quilos e estará na companhia do Mestre Daú Primo e equipe da Associação Crianças do Amanhã (ASCA).
Em 2024, Samuel foi campeão Pan-americano, que deu vaga para disputar a Surdolimpíada, maior nível de competição que ocorre de quatro em quatro anos e recebe atletas do mundo inteiro. Caso conquiste o ouro, terá direito a receber patrocínio do programa federal Bolsa-Atleta. Martinho Francisco, Grão-Mestre (professor) e pai de Samuel, afirma que a expectativa é de êxito no Japão.

“A gente sempre espera que os nossos atletas, não só o Samuel, mas qualquer outro atleta nosso de competição, que ele sempre esteja no pódio, entre as melhores colocações”. Ele acrescenta que de estar no tatame representando o Brasil já é uma grande façanha. Martinho salienta que, caso Samuel traga o pódio para Itabira, será o segundo campeão olímpico do município, se juntando a Talmo Curto, que foi ouro no vôlei nos Jogos Olímpicos de Barcelona em 1992. Além disso a vitória motivará outros jovens que estão iniciando.
Preparação
Como atleta de alto nível, antes dos campeonatos Samuel treina de segunda-feira a sábado, com técnicas específicas para competição e faz academia. Só tira uma pequena pausa aos domingos, porém, neste dia também faz corridas leves. O jovem segue uma rotina alimentar bem equilibrada. Mestre Martinho elogia: “Samuel é um atleta muito empenhado, muito disciplinado, tanto na parte técnica, na parte física, como também na parte mental, e principalmente na questão de dieta. Ele não fica comendo bobagem, ingerindo comidas que não são de atleta”, diz, destacando a importância do equilíbrio entre corpo, mente e espírito: “Ele se prepara mentalmente e espiritualmente para estar assim, focado nos campeonatos”.
Sem tempo para limitações
Ser surdo-mudo não é motivo de se limitar ou vitimizar, e desde os sete anos Samuel compete também com atletas ouvintes. A dedicação tem resultado em pódios com medalhas e troféus: é campeão brasileiro de Taekwondo em várias edições, conquistou mais de 10 vezes o título de campeão mineiro, foi campeão do torneio Open Argentina Taekwondo, campeão do Grand Slam de Taekwondo, que define a Seleção Brasileira para o ano vigente. Se sagrou campeão da Copa do Brasil, do Super Campeonato Brasileiro, vice-campeão da Copa Regional de Taekwondo, que engloba os estados da região Sudeste. Participou de inúmeros campeonatos brasileiros e internacionais. Martinho acredita que Samuel não se limitou devido à deficiência, mas entendeu seu lugar na sociedade e no esporte, além de a família ter sua parcela de contribuição, por acreditar e investir nele.
Celeiro de talentos no esporte
Como celeiro de grandes atletas, Itabira desponta no cenário nacional e internacional. Nesse domingo (16), Davy Vitalino, morador do bairro João XXIII de apenas 14 anos, partiu rumo a São Paulo, para participar das Paralimpíadas Escolares. Ele já foi vice-campeão brasileiro de Taekwondo paralímpico em 2024, e neste ano de 2025, sagrou campeão brasileiro. Assim que voltar de São Paulo, ele viaja para o Paraná com a Seleção Brasileira Paralímpica, o que também enche o professor de orgulho: “Ele tem uma deficiência no braço e é um das grandes apostas nossas no Taekwondo paralímpico, não só de Minas Gerais, mas do Brasil”.

Já no próximo dia 28, Humberto Vinícius disputará o Campeonato Mundial Sub-21, em Nairobi, no Quênia (África). Ele foi campeão em sua categoria, no Super Campeonato Brasileiro, o que deu vaga para participar da competição no país africano. “Só de falar super, a gente já vê aí que é coisa de alto nível. Competição de altíssimo nível, só os melhores do Brasil”, descreve. Esta será sua terceira viagem internacional, tendo conquistado terceiro lugar no Campeonato Pan-Americano, na República Dominicana, participado do Campeonato Mundial Estudantil, no México, e agora, buscando o ouro no Quênia.

Martinho reconhece que, além do trio, a ASCA conta com vários outros atletas que vêm se tornando promessas para o esporte em Itabira, Minas Gerais, Brasil e mundo. “O nosso trabalho é isso, formar atletas campeões. Se não for campeão, pelo menos eles serão excelentes cidadãos, excelentes filhos, excelentes estudantes, porque para treinar Taekwondo tem que ser bom na escola, tem que ter 7, 8, 9 para cima”.