A expansão do universo de Stranger Things segue a todo vapor, mesmo com a série principal se aproximando do fim. A Netflix já deixou claro que a ideia é manter Hawkins viva por meio de projetos paralelos, explorando novos formatos e abordagens dentro desse mesmo mundo.
O anúncio mais recente envolve Stranger Things: Tales from ’85, animação que promete revisitar a cidade em um período específico da cronologia. A proposta, no entanto, já começa cercada por questionamentos que não passaram despercebidos.
A nova série animada será ambientada entre os acontecimentos da segunda e da terceira temporadas da produção original. Em teoria, esse intervalo permitiria contar histórias inéditas sem interferir diretamente nos arcos centrais dos personagens, funcionando como um complemento ao que já foi mostrado.
O problema surge justamente ao se observar o estado do mundo naquele momento da narrativa. Ao final da segunda temporada, Eleven fecha o portal para o Mundo Invertido, interrompendo a passagem de criaturas para Hawkins e encerrando, ao menos temporariamente, a ameaça sobrenatural direta.
Um intervalo que não deveria ter monstros
Se o portal estava selado, como a nova animação pretende mostrar os jovens lidando novamente com monstros antes dos eventos da terceira temporada? Essa contradição cria um furo de roteiro claro, já que a própria série original estabelece que o fechamento da fenda trouxe um período de relativa normalidade para a cidade.
O criador da animação, Eric Robles, reconheceu que analisou minuciosamente a série em busca de brechas narrativas e encontrou um caminho para justificar a presença das criaturas. Segundo ele, a resposta envolve uma combinação entre ciência do Laboratório de Hawkins e resíduos do Mundo Invertido ainda existentes no mundo real.
Robles não entrou em detalhes, mas sugeriu que haveria uma espécie de reação em cadeia, permitindo que ameaças continuassem surgindo mesmo sem um portal ativo. A explicação oficial, porém, ainda não foi apresentada de forma concreta, o que mantém a sensação de inconsistência.
Além da questão cronológica, Tales from ’85 também chama atenção por sua estrutura. A animação não seguirá um formato episódico isolado, apostando em um mistério contínuo ao longo da temporada, com riscos reais para os personagens e um tom mais próximo do horror do que da aventura leve.
Vale lembrar que Tales from ’85 não é o único derivado em desenvolvimento. A Netflix também trabalha em um spin-off em live-action, além de rumores sobre uma produção ambientada no Japão.
Explicação pendente pode definir o futuro do derivado
Por enquanto, o grande furo de roteiro da animação permanece como uma incógnita que só será resolvida quando a série finalmente estrear. A promessa de uma justificativa científica pode funcionar, mas precisará ser muito bem amarrada para não contradizer eventos centrais da série original.
Se conseguir integrar essa explicação de forma orgânica, Tales from ’85 pode se firmar como uma expansão válida do universo. Caso contrário, o derivado corre o risco de ser lembrado mais pela inconsistência narrativa do que pelas novas histórias que pretende contar.
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Fonte: O Tempo