Aos 7 anos, Elton Henrique encontrou no taekwondo mais do que golpes e medalhas. Encontrou um caminho. Órfão de pai, ele foi acolhido pela Associação Criança do Amanhã (ASCA) em 2007. Dezessete anos depois, não só se tornou faixa preta como preside a entidade que transformou sua vida. Agora, ele repete o gesto: leva o projeto “Lutar Pela Manhã” ao bairro Nova Vista, onde 35 crianças terão acesso gratuito à arte marcial.
“A gente identifica que ainda é um bairro que precisa de atenção especial”, diz Henrique, 24, durante entrevista à Rádio Pontal. O projeto, patrocinado pela Vale, prioriza famílias do Nova Vista — metade das vagas será preenchida por indicação do Centro de Referência de Assistência Social (Cras).
“Não é para bater nos outros”
O projeto enfrenta um estigma comum às artes marciais. “Amanhã vou ser faixa preta e vou bater em todo mundo? Não é por aí”, brinca Henrique. As aulas incluem temas como higiene pessoal, direitos e deveres, além de valores como disciplina e respeito.
Há ainda acompanhamento do rendimento escolar. “Não adianta o aluno ir bem nas aulas, mas mal em casa ou na escola”, explica o presidente. Quem não mantém as notas pode ter a participação suspensa — uma regra que já transformou histórias. Como a de João Pedro, 14, que abandonou a repetência após ingressar no projeto.
Rede de apoio
A ASCA mantém núcleos em bairros como Fênix, Pedreira e Barreiro. Atende principalmente crianças de 7 a 17 anos, mas também desenvolve projetos para adultos, como a Academia do Ar Livre, em parceria com a prefeitura.
Para pessoas com deficiência, há o Tabira Paralímpica. “Nada impede a gente de receber crianças com autismo ou outros transtornos nos projetos regulares”, diz Henrique. “Mas às vezes demanda mais um professor, e esbarramos na falta de profissionais.”
Como participar
As inscrições para o “Lutar Pela Manhã” serão na sede da ASCA (Rua Professor de Andrade, centro, em frente ao Senac). É necessário levar RG e CPF da criança e do responsável, comprovante de endereço e declaração escolar.
Quem quiser contribuir ou saber sobre outros projetos pode entrar no grupo ASCANews pelo WhatsApp (31) 97113-9987. “A inteligência artificial manda o link, e a pessoa já fica por dentro de tudo”, diz Henrique.
Enquanto prepara o novo projeto, ele lembra sua própria história. “O taekwondo me deu estrutura quando eu mais precisei. Agora, é fazer com que outras crianças tenham a mesma oportunidade.”