Por Marcello Ambrósio
Um hospital de Barcelona realizou um transplante facial histórico após uma mulher decidir, ainda em vida, doar o próprio rosto antes de passar por um procedimento de morte assistida. A atitude inédita ajudou a devolver dignidade e qualidade de vida a outra paciente.
A cirurgia aconteceu no hospital Vall d’Hebron e envolveu cerca de 100 profissionais, entre médicos, enfermeiros, psiquiatras e especialistas em imunologia. O procedimento foi considerado extremamente complexo.
Segundo a coordenadora de transplantes, Elisabeth Navas, a decisão da doadora impressionou toda a equipe. Para ela, o gesto mostrou uma maturidade e uma generosidade raras.
“Mesmo escolhendo encerrar a própria vida, ela decidiu dar uma segunda chance a alguém”, afirmou.
A história da paciente
A receptora do rosto se chama Carme. Ela sofria com a necrose dos tecidos do rosto após uma infecção causada por picada de inseto. O problema comprometeu funções básicas, como falar, comer e enxergar.
Com o transplante, sua vida mudou.
“Quando me olho no espelho, sinto que estou voltando a ser eu mesma”, disse durante coletiva.
A recuperação, segundo os médicos, está evoluindo bem.
Como funciona o transplante facial
Esse tipo de procedimento exige critérios rigorosos. Doador e receptor precisam ter:
- Mesmo sexo
- Mesmo tipo sanguíneo
- Tamanho de cabeça semelhante
Tudo isso aumenta as chances de sucesso e reduz riscos de rejeição.
Referência mundial em transplantes
A Espanha é líder mundial em transplantes há mais de 30 anos. O país tem uma das maiores taxas de doação de órgãos do mundo.
Metade dos transplantes faciais já realizados no país foi feita pelo hospital Vall d’Hebron, que também foi responsável pelo primeiro transplante facial completo do mundo, em 2010.
Somente no último ano, mais de 6 mil transplantes foram realizados no país.
Desde 2021, a Espanha permite legalmente a eutanásia. Em 2024, mais de 400 pessoas recorreram ao procedimento.
Um gesto que salvou mais que um rosto
Mais do que um avanço médico, o caso chama atenção pelo lado humano. A decisão da doadora mostrou que, mesmo no fim da vida, é possível oferecer esperança a outra pessoa.
O gesto não apenas reconstruiu o rosto de Carme, mas devolveu sua autoestima, autonomia e vontade de viver.
Um ato silencioso, mas capaz de mudar uma história inteira.
