Por Marcello Ambrósio
A taxa média de desemprego no Brasil chegou a 5,6% em 2025, o menor nível desde o início da série histórica do IBGE. Os dados mostram que o número de pessoas sem trabalho caiu para 6,2 milhões, cerca de 1 milhão a menos do que em 2024 — uma redução de 14,5%.
Ao mesmo tempo, o país registrou o maior número de pessoas ocupadas da história, com 103 milhões de trabalhadores, alta de 1,7% em relação ao ano anterior.
Segundo o professor Hélio Zylberstajn, da FEA-USP, esse resultado está diretamente ligado à política econômica adotada pelo governo, com aumento de gastos públicos e transferências de renda, o que impulsiona o consumo e, consequentemente, a ocupação. Ele ressalta, no entanto, que esse crescimento não representa necessariamente mais empregos formais.
“O que cresce é a ocupação, não o emprego. Muitas pessoas estão trabalhando, mas fora do regime formal, em atividades temporárias ou informais”, explica o professor. De acordo com ele, boa parte dessa expansão vem do avanço dos microempreendedores individuais (MEIs), o que levanta debates sobre a qualidade e a estabilidade dessas ocupações.
Outro ponto destacado é a desigualdade de renda. Embora o rendimento médio do trabalho esteja em torno de R$ 3.500, cerca de 80% dos trabalhadores ganham abaixo desse valor. Além disso, a renda do trabalho representa apenas 35% do PIB, enquanto nos países desenvolvidos essa fatia chega a cerca de 60%.
Zylberstajn também chama atenção para o impacto dos juros elevados, que consomem quase 10% do PIB apenas com o pagamento da dívida pública. Para ele, o cenário positivo deve se manter em 2025 por ser um ano eleitoral, mas há sinais de desaceleração econômica para os próximos anos.
