Por Marcello Ambrósio
Um piloto de 60 anos foi preso na manhã desta segunda-feira (9) dentro de um avião no Aeroporto de Congonhas, na Zona Sul de São Paulo, acusado de liderar uma rede de abuso e exploração sexual infantil que atuava havia pelo menos oito anos. A prisão foi realizada pela Polícia Civil momentos antes da decolagem do voo.
Segundo as investigações, Sérgio Antônio Lopes, funcionário da companhia aérea Latam, abusava de crianças e adolescentes, pagava por fotos das vítimas e contava com a colaboração de familiares para o aliciamento. O esquema, de acordo com a polícia, funcionava de forma estruturada e contínua.
Por que ele foi preso no aeroporto
Os investigadores explicaram que o suspeito viajava com frequência, o que dificultava sua localização em casa. Diante disso, a polícia solicitou informações sobre a escala de voos e planejou a abordagem no aeroporto. O piloto já estava na cabine da aeronave quando foi preso.
As acusações
A Polícia Civil aponta que o piloto cometeu crimes como estupro de vulnerável, exploração sexual infantil, favorecimento da prostituição e envolvimento na produção, no armazenamento e na possível distribuição de material de abuso sexual infantil.
As apurações indicam que ele pagava entre R$ 30 e R$ 100 por imagens das vítimas, enviadas por aplicativos de mensagens. Os pagamentos eram feitos por meio de transferências via Pix.
Como o esquema funcionava
De acordo com a investigação, o suspeito se aproximava inicialmente de mães, avós ou responsáveis legais, simulando interesse afetivo. Em seguida, deixava claro que o foco era nas crianças e adolescentes e fazia propostas financeiras.
Além de dinheiro, ele oferecia ajuda com despesas básicas, como alimentos, medicamentos, eletrodomésticos e até pagamento de aluguel. Quando havia encontros presenciais, as vítimas eram levadas a motéis com o uso de documentos falsos de adultos. Segundo a polícia, sempre que ocorria contato físico, os abusos se concretizavam.
Outros envolvidos
Além do piloto, outras pessoas são investigadas. A avó de três vítimas foi presa temporariamente, suspeita de aliciar as próprias netas. Já a mãe de outra criança foi detida em flagrante por armazenar e compartilhar material de exploração sexual infantil.
Até o momento, a polícia identificou dez vítimas em São Paulo, mas não descarta a existência de outras vítimas em diferentes estados.
O que diz a defesa e a empresa
Até a última atualização, a defesa dos envolvidos não havia se manifestado. Em nota, a Latam informou que abriu uma apuração interna, afirmou repudiar qualquer prática criminosa e declarou estar colaborando com as autoridades. A companhia também disse que o voo ocorreu normalmente, sem prejuízos às operações.
