Por Marcello Ambrósio
Imagens de câmeras de segurança ajudam a esclarecer o que pode ter levado à morte da professora Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, após uma aula de natação em uma academia na Zona Leste de São Paulo. A principal suspeita da polícia é que a manipulação inadequada de produtos químicos dentro do ambiente fechado da piscina tenha provocado a intoxicação de alunos.
O caso ocorreu no último sábado (7), na academia C4 Gym, no Parque São Lucas. Juliana passou mal logo após sair da piscina e chegou a ser socorrida, mas morreu horas depois no Hospital Santa Helena, em Santo André.
Vídeo mostra os últimos momentos
Nas imagens, Juliana aparece ainda com roupa de banho no saguão da academia, gesticulando e demonstrando dificuldade para respirar. Ela se senta, é amparada por outras pessoas e, pouco depois, outros alunos também começam a deixar a área da piscina.
Mais de quatro minutos depois, Juliana é retirada do local com ajuda de frequentadores. No mesmo momento, um homem aparece com um pano cobrindo o rosto — segundo a investigação, ele seria o responsável pela manipulação dos produtos químicos.
Mistura de produtos no local da aula
De acordo com o delegado Alexandre Bento, do 42º Distrito Policial, os produtos químicos teriam sido preparados dentro do próprio ambiente da piscina, que é coberto e tem pouca circulação de ar.
Imagens de outras câmeras mostram um funcionário misturando os produtos ao lado da piscina, enquanto alunos ainda estavam na água. A hipótese é que os gases liberados pela mistura tenham se acumulado no local e causado asfixia.
“O produto foi preparado em um balde de cerca de 20 litros e deixado próximo à piscina. Como o ambiente era muito fechado, os gases começaram a se espalhar e as pessoas passaram mal”, explicou o delegado.
O homem que manipulou os químicos ainda não foi localizado.
Outras vítimas
Além de Juliana, quatro pessoas também foram afetadas. O marido da professora, Vinicius Oliveira, segue internado em estado grave, mas estável, em uma UTI, com insuficiência respiratória. Um adolescente de 14 anos também permanece hospitalizado com ajuda de aparelhos. Outras duas vítimas já receberam alta.
Segundo a polícia, havia nove alunos na piscina no momento da aula. O delegado destacou que a atitude rápida do marido de Juliana, que alertou os demais alunos para deixarem o local, pode ter evitado mais mortes.
Irregularidades na academia
A investigação também apura as condições de funcionamento da academia. A empresa não possuía alvará, apresentava instalações elétricas precárias e operava com documentação irregular. A Subprefeitura da Vila Prudente informou que o local foi lacrado.
Em nota, a C4 Gym afirmou que prestou atendimento imediato às vítimas, está oferecendo suporte aos envolvidos e colabora com as investigações.
O caso segue sob apuração da Polícia Civil.
