Por Marcello Ambrósio
A Polícia Civil prendeu temporariamente, na manhã desta terça-feira (10), um policial militar suspeito de envolvimento no desaparecimento de Silvana Germann de Aguiar, de 48 anos, e de seus pais, Isail Vieira de Aguiar, de 69, e Dalmira Germann de Aguiar, de 70. A família não é vista desde janeiro, em Cachoeirinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre.
O preso é Cristiano Domingues Francisco, ex-companheiro de Silvana e soldado da Brigada Militar. A identidade não havia sido divulgada oficialmente, mas foi confirmada pela apuração jornalística. A defesa do suspeito ainda não se manifestou.
Em nota, a Brigada Militar informou que o policial será afastado das funções enquanto o caso é investigado. A Corregedoria-Geral da corporação acompanha o inquérito.
Investigação trata o caso como homicídio
Segundo o delegado Anderson Spier, a prisão temporária foi solicitada para aprofundar a apuração de informações que ainda precisam ser confirmadas. A principal linha de investigação, neste momento, é de homicídio, embora detalhes sobre a dinâmica e a motivação do crime ainda não tenham sido divulgados.
“O que temos até agora não pode ser revelado para não comprometer os próximos passos da investigação”, explicou o delegado Ernesto Prestes.
Na segunda-feira (9), o caso foi debatido em uma reunião entre delegados e autoridades da Polícia Civil. Durante o encontro, foi confirmado que o cartucho encontrado na casa dos idosos era de festim, ou seja, sem munição letal.
Perícias e novos depoimentos
A polícia segue aguardando laudos de perícias realizadas em residências, veículos e imagens de câmeras de segurança. Um celular encontrado próximo à casa dos pais de Silvana também passa por análise pericial. Mais pessoas devem ser ouvidas nos próximos dias.
Até o momento, não há informações conclusivas sobre o paradeiro da família, mas os investigadores trabalham com a convicção de que um crime foi cometido.
O que se sabe sobre o desaparecimento
Silvana foi vista pela última vez em 24 de janeiro. No mesmo dia, uma postagem em suas redes sociais afirmava que ela havia sofrido um acidente em Gramado, mas estava bem. A polícia confirmou que o acidente nunca ocorreu e que a publicação teria sido feita para despistar o desaparecimento.
Após verem a postagem, os pais saíram de casa no dia seguinte para procurar a filha. Eles chegaram a tentar registrar o desaparecimento em uma delegacia, mas a unidade estava fechada. Desde então, também não foram mais vistos.
A polícia descarta sequestro, já que não houve pedido de resgate, e considera as hipóteses de homicídio ou cárcere privado.
Movimentações suspeitas
Câmeras de segurança registraram uma movimentação incomum na noite do desaparecimento. Um carro vermelho entrou na casa de Silvana às 20h34 e saiu minutos depois. Mais tarde, o veículo da própria vítima foi visto entrando na garagem. Outro carro ainda passou pelo local durante a madrugada. A polícia tenta identificar os veículos e esclarecer se se trata da mesma pessoa.
O carro de Silvana foi encontrado na garagem da residência, com a chave dentro da casa, o que reforça a suspeita de que ela não chegou a viajar.
Silvana era filha única, trabalhava com os pais — donos de um pequeno mercado no bairro — e deixa um filho de 9 anos, que estava com o pai no fim de semana do desaparecimento. Familiares e vizinhos descrevem o casal de idosos como pessoas tranquilas e muito queridas na comunidade.
O caso segue sob investigação.
