Por Marcello Ambrósio
Nova rodada de pesquisa consolida o “filho 01” como o nome da oposição para o próximo pleito. Vantagem do atual presidente no segundo turno cai para 5 pontos porcentuais.
A nova pesquisa Quaest, divulgada nesta quarta-feira (11), traz um cenário de estabilidade para o Governo Federal, mas acende um alerta para o Palácio do Planalto. Embora o presidente Lula mantenha o favoritismo em todas as simulações, o senador Flávio Bolsonaro (PL) consolidou-se como o herdeiro político do bolsonarismo e vem reduzindo a margem de diferença na disputa direta.
O Estreitamento da Disputa
O dado mais relevante do levantamento é a performance de Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno. Em dezembro, a vantagem de Lula era de dez pontos; agora, essa distância caiu pela metade, chegando a 5 pontos.
Essa ascensão de Flávio ocorre em um vácuo deixado pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que foi retirado dos cenários após reiterar seu foco na reeleição ao governo de São Paulo.
1. A Bipolaridade da Aprovação
O país segue rigorosamente dividido. A desaprovação e a aprovação do desempenho de Lula permanecem estagnadas, refletindo um eleitorado de opiniões cristalizadas:
- Desaprovam: 49%
- Aprovam: 45%
- Não opinaram: 6%
2. O Peso dos “Independentes”
O grupo que não se identifica nem com a esquerda, nem com a direita — cerca de 32% do eleitorado — é quem deve arbitrar a eleição. E é aqui que a vantagem de Lula sofreu o maior desgaste: a distância para Flávio, que já foi de 16 pontos nesse nicho, agora é de apenas 5 pontos.
3. Rejeição: O Teto de Vidro dos Favoritos
Um dado curioso e preocupante para ambos os lados é a rejeição quase idêntica. Tanto Lula (54%) quanto Flávio (55%) enfrentam uma resistência de mais da metade da população.
“Essa simetria na rejeição indica que a eleição de 2026 pode ser decidida não pelo ‘amor’ a um candidato, mas pelo receio em relação ao adversário”, avalia a análise técnica da pesquisa.
4. A Família como Trunfo e Risco
A estratégia do PL parece estar surtindo efeito entre a base. Segundo a Quaest, 69% dos eleitores sabem que Flávio tem o apoio formal do pai, Jair Bolsonaro. O índice dos que consideram a indicação do filho um acerto subiu para 44%, sinalizando que o eleitorado de direita está “comprando” a sucessão familiar.
5. Terceira Via: O PSD no Retrovisor
Enquanto o duelo entre PT e PL monopoliza as atenções, o PSD de Gilberto Kassab tenta se posicionar. Entre os nomes testados, o governador do Paraná, Ratinho Júnior, é quem apresenta o melhor desempenho, embora ainda distante dos líderes:
- Ratinho Júnior: 8% (1º turno) / 35% (2º turno contra Lula)
- Ronaldo Caiado: 4% (1º turno)
- Eduardo Leite: 4% (1º turno)
Análise de Cenário
O “merecimento de reeleição” ainda é o maior obstáculo de Lula: 57% afirmam que ele não merece um novo mandato. No entanto, a força do sobrenome Bolsonaro também gera temor; 44% da população diz ter medo da volta da família ao poder, contra 41% que temem a continuidade do PT.
O cenário para 2026 está desenhado: uma disputa de trincheiras onde cada ponto entre os independentes valerá ouro.
