Por Marcello Ambrósio
Jonas de Oliveira, de 32 anos, alegou que ataques são uma “resposta à altura” contra as vítimas. Agressor já possuía medida protetiva expedida após episódios anteriores de tortura psicológica e física.
Um vídeo estarrecedor de câmeras de segurança em São Vicente, no litoral paulista, tornou-se a prova central de um crime que escancara a reincidência da violência contra a mulher. Jonas de Oliveira foi preso após ser filmado asfixiando com um “mata-leão” e arrastando pelos cabelos uma jovem de 26 anos dentro de um elevador. O caso ganha contornos ainda mais graves com a confissão do agressor, que admitiu à polícia ter um comportamento sistematicamente violento.
O Ataque no Elevador
O crime ocorreu no último sábado (7), quando a vítima foi ao prédio do ex-companheiro para buscar pertences pessoais. Nas imagens, Jonas imobiliza a mulher e a agride brutalmente. Em sua defesa inicial, ele tentou minimizar a violência, alegando que apenas “empurrou” a jovem para recuperar um celular. No entanto, o registro visual e a perícia técnica desmentem a versão, confirmando o sufocamento e a agressão física.
Um Histórico de Alertas Negligenciados
O relacionamento, que durou apenas dois meses, foi marcado por um ciclo de violência rápido e severo.
- Dezembro de 2025: A vítima registrou o primeiro Boletim de Ocorrência após ser agredida em uma casa noturna e, posteriormente, mantida sob ameaça de uma faca no apartamento de Jonas. Na ocasião, ela relatou ter sofrido mordidas no rosto e tapas.
- Janeiro de 2026: A Justiça expediu uma medida protetiva de urgência.
Mesmo com a restrição legal, Jonas continuou em liberdade até que a repercussão das imagens do elevador nas redes sociais forçasse sua detenção na última terça-feira (10).
“Resposta à Altura”: A Mentalidade do Agressor
O depoimento de Jonas à Polícia Civil revelou um perfil de periculosidade acentuada. Ele não apenas confessou o ataque recente, como admitiu ter agredido outra mulher com um capacete em janeiro, motivado por ciúmes.
Confissão: O agressor justificou sua conduta alegando que se sente “obrigado a dar uma resposta à altura” diante de atitudes das mulheres que o desagradam, transferindo para as vítimas a responsabilidade por sua própria violência.
Falha na Rede de Proteção
O caso levanta questionamentos sobre a eficácia das medidas protetivas. Vizinhos de Jonas relataram que gritos e barulhos de brigas eram frequentes no imóvel, indicando que o comportamento agressivo era de conhecimento público na comunidade, mas só foi interrompido com a intervenção policial após a exposição midiática.
Jonas de Oliveira agora responde por lesão corporal, injúria, ameaça e descumprimento de medida protetiva. A Polícia Civil investiga se há outras vítimas não identificadas que sofreram agressões sob o mesmo modus operandi.
