Um bloco diferente. É assim que o Pena de Pavão de Krishna é conhecido. Mas o “diferente”, no dia do cortejo, é para eles a maior conquista. A proposta de um desfile construído coletivamente, de forma voluntária, é a essência do bloco há 13 anos. Neste domingo (15 de fevereiro), segundo dia de Carnaval de BH, o grupo iniciou às 9h30 seu tradicional desfile no bairro União, região Nordeste da capital mineira.
Antes da música começar, uma oração a São Francisco de Assis pediu bênção para todas as criaturas. Depois, de mãos dadas, integrantes e foliões respiraram juntos, vibrando boas energias. A mistura de crenças e espiritualidades é o exemplo do que o bloco quer levar às ruas de Belo Horizonte.
“Dizem que nosso bloco é ecumênico, mas ecumênico ainda não dá conta, porque é mais universalista. Vai além de uma forma específica de culto e abrange todas as formas de espiritualidade, todas as entidades. A gente canta para tudo que, para nós, representa espiritualidade: essa conexão com a natureza, o respeito ao ser humano, à diversidade e a todas as culturas. E aqui a gente vem celebrar tudo isso”, explica Gustavito Amaral, um dos organizadores.
O Pena de Pavão convida o público a viver uma experiência diferente durante a folia. As músicas são mais suaves, o ritmo do cortejo também. É a possibilidade de aproveitar o Carnaval com tranquilidade e segurança. “O nosso bloco não é tão cheio. Acontece em uma avenida tranquila, com bastante espaço, e tem um canteiro central muito grande, que é praticamente uma praça. O nosso não é um bloco infantil, mas traz um ambiente acolhedor e tranquilo para as famílias”, afirma o organizador.
Por que o azul?
É tradição que tanto integrantes quanto foliões pintem o corpo de azul para acompanhar o cortejo. Segundo Gustavito Amaral, a escolha faz referência à cultura hindu, que também é reverenciada nos desfiles do bloco.
“O azul que a gente usa nas fantasias vem de Krishna, esse deus indiano que tem a pele azul. Existem várias explicações para isso. Dizem que é porque o amor dele é infinito como o azul do céu. Outros dizem que ele é azul porque, como é deus, pode ser o que quiser. Há ainda interpretações de que ele era negro, que era lunar…”, explica.
O nome do bloco foi inspirado em um verso da música Trilhos Urbanos, de Caetano Veloso, e também busca ressaltar a diversidade cultural presente no cortejo. “Caetano Veloso, em ‘Trilhos Urbanos’, canta ‘pena de pavão de Krishna, maravilha, vice Maria, mãe de Deus’. Ele fala justamente dessa conexão entre a cultura afro-brasileira e a cultura hindu, indiana, de alguma forma”, completa Amaral.
Fonte: O Tempo