Por Marcello Ambrósio
Estrutura de luxo montada para o Carnaval foi lacrada após investigação apontar uso de rifas ilegais para financiar o tráfico de drogas; aeronave de R$ 12 milhões motivou apuração.
SALVADOR – Uma operação da Polícia Civil da Bahia resultou na interdição de um camarote de luxo no circuito do Carnaval de Salvador antes mesmo de sua inauguração. A estrutura, pertencente ao influenciador Diogo Santos de Almeida, conhecido como “Diogo 305”, foi alvo de uma investigação iniciada em 2024 que apura crimes de lavagem de dinheiro, organização criminosa e exploração de jogos de azar.
O Esquema das Rifas e o Tráfico
A Delegacia de Repressão a Ações Criminosas Organizadas (Draco) identificou que o influenciador utilizava a venda de rifas digitais com valores irrisórios — algumas custando apenas seis centavos — para movimentar grandes quantias. Segundo o delegado Fábio Lordelo, diretor da Draco, a prática dificultava o rastreio financeiro devido à pulverização das vendas.
A investigação aponta que os recursos arrecadados serviam para lavar dinheiro proveniente do tráfico de drogas de diversos estados. Embora ostentasse prêmios como carros de luxo e cavalos de raça, a polícia investiga se as premiações eram entregues ou se o processo de distribuição era forjado para alimentar o caixa de facções criminosas.
Ostentação e Bens Apreendidos
A apuração ganhou velocidade após a descoberta da compra conjunta de um avião particular, avaliado em mais de R$ 12 milhões, por Diogo e Manuel Ferreira da Silva Filho, também indiciado por lavagem de dinheiro. Durante o cumprimento de mandados de busca na residência do influenciador, localizada em um condomínio de alto padrão, os agentes apreenderam:
- Veículos de Luxo: Cerca de dez automóveis, incluindo uma Lamborghini avaliada em mais de R$ 4 milhões.
- Valores em Espécie: Aproximadamente R$ 125 mil em dinheiro vivo.
- Armamento: Grande quantidade de munição, inclusive de calibre .556, utilizado em fuzis.
Prisão e Destino da Estrutura
Diogo 305 tentou fugir ao notar a presença das autoridades na véspera da operação, sendo capturado após perseguição em uma rodovia estadual. A Justiça converteu a prisão em flagrante em preventiva. Segundo a delegada Emily Figueiredo, o suspeito responderá por organização criminosa e lavagem de dinheiro, além da contravenção penal ligada às rifas ilegais.
Após a interdição, a Justiça autorizou que a estrutura física do camarote — que possui três andares e vista privilegiada para o circuito — seja utilizada pela Secretaria de Segurança Pública. O local servirá como ponto de vigilância estratégica e base para o monitoramento de drones durante os dias de festa.
Até o momento, as defesas de Diogo Santos de Almeida e Manuel Ferreira da Silva Filho não foram localizadas para prestar esclarecimentos.
