Por Marcello Ambrósio
O desaparecimento e a morte da pequena Giovanna dos Reis Costa, de apenas 9 anos, em abril de 2006, finalmente ganharam um desfecho inesperado. Martônio Alves Batista, de 55 anos, foi preso preventivamente em Londrina, no norte do Paraná, apontado como o principal suspeito de um crime que chocou a cidade de Quatro Barras. O caso, que estava arquivado após a absolvição de outros suspeitos no passado, foi reaberto devido a relatos aterrorizantes de abusos sexuais cometidos pelo acusado contra sua própria ex-enteada.
A investigação tomou um rumo decisivo quando a ex-enteada de Martônio procurou a polícia para denunciar que foi abusada por ele dos 11 aos 14 anos. Segundo o depoimento, o homem mantinha a jovem em silêncio por meio de ameaças psicológicas pesadas, afirmando que ela seria a “próxima Giovanna”. Foi a partir dessa ameaça que a vítima descobriu que a criança citada era a menina morta em 2006, vizinha de Martônio na época. Em um confronto com a mãe da jovem, o suspeito teria chegado a confessar que não era apenas uma testemunha do caso de Quatro Barras, mas o autor do crime.
Os detalhes revelados pela Polícia Civil conectam o suspeito diretamente à cena do crime de 19 anos atrás. Na época, policiais encontraram na casa de Martônio fios elétricos idênticos aos usados para amarrar o corpo de Giovanna, além de um colchão com manchas que desapareceu misteriosamente após o imóvel ser lavado com água sanitária. Agora, ex-companheiras do acusado confirmaram que foram obrigadas a ajudá-lo a destruir provas e que ele descreveu minuciosamente como atraiu a menina para dentro de casa com o pretexto de comprar rifas escolares, cometendo a violência logo em seguida.
Martônio, que já possuía histórico criminal por instalar câmeras em banheiros femininos em 2018, agora responde por homicídio qualificado, estupro de vulnerável e ocultação de cadáver. Enquanto a defesa alega que ainda não teve acesso total ao processo e prega a presunção de inocência, a polícia segue investigando se houve outras vítimas ao longo dessas quase duas décadas. Para a família de Giovanna e para a sociedade paranaense, a prisão representa o fim de um ciclo de impunidade que parecia definitivo.
