Por Marcello Ambrósio
Capturados há mais de um ano em Kursk, na Rússia, dois soldados norte-coreanos vivem hoje um impasse que pode custar suas vidas. Prisioneiros de guerra sob custódia da Ucrânia, os militares fizeram um apelo desesperado: querem ser enviados para a Coreia do Sul. O motivo é a rígida doutrina militar de Kim Jong-un, que proíbe a rendição.
Para o regime norte-coreano, ser capturado vivo é um ato de traição. A instrução oficial para os militares é cometer suicídio (geralmente usando granadas) antes de uma captura inevitável. “Eu não vou sobreviver se voltar. Todos os outros se explodiram. Eu falhei”, desabafou um dos prisioneiros. Além da execução ou do trabalho forçado para os soldados, existe o temor da “punição por três gerações”, uma prática onde as famílias dos desertores também são encarceradas ou eliminadas.
O Impasse Geopolítico
Embora a Constituição da Coreia do Sul considere os norte-coreanos como seus cidadãos, o governo de Seul tem demonstrado cautela. O receio é que aceitar os desertores vindos diretamente do front ucraniano possa escalar as tensões com Pyongyang e complicar as relações com Moscou.
- A Posição da ONU: Relatores de direitos humanos instaram a Ucrânia a respeitar os protocolos internacionais e não repatriar os homens para um local onde enfrentem tortura e morte.
- O Risco da Rússia: Sem um acordo com a Coreia do Sul, a Ucrânia pode ser forçada a trocar os prisioneiros com a Rússia, que fatalmente os devolveria à Coreia do Norte.
O caso expõe a crueldade do regime de Pyongyang com seus próprios enviados: enquanto apoia a Rússia com tropas, o governo norte-coreano não oferece nenhuma rede de segurança para seus soldados, tratando o retorno de um capturado como um crime de Estado.
