Por Marcello Ambrósio
A morte de Nemesio Oseguera Cervantes, o “El Mencho”, durante uma operação militar no último domingo (22), encerra a trajetória do traficante mais procurado do México, mas abre um vácuo de poder que já espalha o caos pelo país. O Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG), organização que ele fundou e transformou na mais poderosa e violenta do território mexicano, enfrenta agora uma reestruturação interna sob fogo cruzado.
O Surgimento da “Máquina de Guerra”
O CJNG não nasceu do nada. Ele surgiu em 2007 como os “Mata Zetas”, um braço armado do Cartel de Sinaloa (de El Chapo), criado para proteger Jalisco. Após a morte de seus fundadores originais, El Mencho — um ex-policial deportado dos EUA — assumiu o comando, rompeu com Sinaloa e iniciou uma expansão meteórica baseada em:
- Extrema Violência: O grupo “triturou” rivais como os Cavaleiros Templários e os Zetas.
- Diversificação Econômica: Além de drogas, o cartel controla mineração, agricultura e lavagem de dinheiro em mais de 40 países.
- Poder de Fogo: O grupo é conhecido por usar táticas militares e armamento pesado para enfrentar o próprio Exército mexicano.
A Operação e a Retaliação
A captura e morte de El Mencho contou com o apoio da inteligência dos EUA e resultou em um confronto que deixou mais de 70 mortos. Em retaliação, o cartel atacou membros da Guarda Nacional, resultando na morte de 25 agentes em Jalisco. O governo mexicano enviou mais 2 mil soldados para a região para tentar conter o que especialistas chamam de “guerra de sucessão”.
O Futuro do Cartel
Sem um sucessor claro — já que o filho de El Mencho, “El Menchito”, está preso nos EUA — o CJNG pode enfrentar uma fragmentação perigosa. Especialistas alertam que a “decapitação” de um cartel raramente significa sua extinção; pelo contrário, costuma gerar uma luta interna pelo poder e ataques de grupos rivais, como o Cartel de Sinaloa, que podem tentar recuperar territórios perdidos.
