A cidade de Juiz de Fora, a maior da zona da Mata mineira, enfrentou uma das madrugadas mais críticas de sua história recente. Entre a noite de ontem segunda-feira (23), e o início da madrugada desta terça-feira (24), o volume extremo de chuva que atingiu a marca de 180 mm em pontos isolados provocou uma série de desabamentos de edificações e deslizamentos de terra, mobilizando todas as forças de segurança e salvamento da região.
Segundo o jornal O Globo e o portal G1, ao menos 16 pessoas morreram, sendo 14 em Juiz de Fora e outras duas em Ubá, e 45 estão desaparecidas. Conforme a Prefeitura de Juiz de Fora, choveu mais que o dobro do esperado para todo o mês de fevereiro. O rio Paraibuna saiu da calha em diferentes pontos. Houve quedas de árvores e deslizamentos que inviabilizam o trânsito. Córregos transbordaram, provocando alagamentos. Houve, pelo menos, dois desabamentos e seis soterramentos, além do desabamento de taludes. Conforme a Defesa Civil juiz-forana, há, ao menos, 440 pessoas desabrigadas.
No bairro Paineiras, na região Central, a situação foi dramática. A queda de um barranco atingiu violentamente o primeiro pavimento de um prédio e duas casas na Rua Engenheiro Murilo Miranda de Andrade. Pelo menos 15 moradores ficaram presos nas estruturas danificadas e, segundo informações preliminares, duas pessoas foram soterradas. O Corpo de Bombeiros trabalha intensamente no local para acessar as vítimas e garantir a estabilidade do que restou das construções.
Outro ponto de extrema gravidade ocorre no bairro JK. Na Rua Francisco Gonzalo de Faria, uma edificação desmoronou completamente após vizinhos relatarem estalos seguidos de um forte estrondo. Devido à complexidade do cenário e ao risco de novas quedas, equipes de salvamento com cães farejadores foram mobilizadas para tentar localizar sobreviventes em meio aos escombros.
A Prefeitura de Juiz de Fora confirmou que há registro de ao menos seis soterramentos com possíveis vítimas espalhados pelos bairros Cerâmica, Esplanada, Três Moinhos, Santa Rita e Parque Burnier. Com o solo completamente saturado pelas chuvas ininterruptas, a Defesa Civil alerta que o risco de novos desabamentos permanece altíssimo, mesmo em áreas onde a precipitação diminuiu de intensidade.
A prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão (PT), decretou estado de calamidade pública em decorrência “do mês mais chuvoso da história da cidade”. As aulas na rede municipal estão suspensas, e os funcionários lotados na sede da Prefeitura trabalharão remotamente. A orientação das autoridades é rigorosa: moradores de áreas de encosta que perceberem rachaduras em paredes, estalos em estruturas ou inclinação de postes e árvores devem abandonar suas residências imediatamente e acionar o 199.
Fonte: A Noticia Regional