Por Marcello Ambrósio
Esta notícia revela uma trágica coincidência que expõe a gravidade da violência doméstica em São Paulo, conectando dois crimes brutais dentro de um mesmo círculo de convivência na Brasilândia, Zona Norte da capital. Priscila Versão, de 22 anos, foi morta nesta segunda-feira (23) após ser vítima de espancamento. O que torna o caso ainda mais emblemático é o fato de Priscila ser amiga próxima da família de Tainara Souza Santos, a jovem que faleceu em dezembro passado após ser atropelada e arrastada por um carro até a Marginal Tietê.
O principal suspeito do crime é o companheiro de Priscila, o motorista Deivit Bezerra Pereira, de 35 anos. Ele levou a jovem ao Hospital Municipal Vereador José Storopoli já sem sinais vitais e apresentando diversas marcas de agressão, hematomas e sangramento no nariz. De acordo com o prontuário médico, as roupas da vítima exalavam um forte cheiro de gasolina, detalhe que reforça a crueldade do episódio. Ao chegar à unidade de saúde, o homem teria ameaçado atear fogo ao próprio corpo, mas foi contido e preso em flagrante pela polícia.
Em seu depoimento, o suspeito apresentou uma versão contraditória, alegando que o casal teria discutido em um bar e que ele teria comprado o combustível para tentar o suicídio. Ele afirmou que, ao desistir do ato e retornar para buscar Priscila, já a encontrou ferida no chão. No entanto, a família da jovem relata um histórico de relacionamento abusivo e agressões anteriores. Priscila deixa três filhos pequenos, sendo o mais novo um bebê de apenas seis meses de idade.
Este feminicídio faz parte de uma onda de violência contra a mulher registrada no estado de São Paulo nas últimas 24 horas. Além do caso de Priscila, uma jovem de 20 anos foi estrangulada em Itapecerica da Serra pelo ex-companheiro, e uma balconista de 18 anos foi esfaqueada em Guaianases. Os episódios reforçam a urgência do debate sobre a eficácia das medidas protetivas e o monitoramento de agressores em casos de violência doméstica recorrente.
