BRASÍLIA – O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) afirmou neste sábado (28/2) que a diplomacia brasileira atua “em defesa da paz” diante da escalada do conflito no Oriente Médio. Ao comentar os ataques realizados pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã, ele reforçou que o Brasil manterá a aposta na solução diplomática como resposta às ofensivas militares.
“O presidente Lula sempre tem destacado que o Brasil é o país promotor da paz. Então, a diplomacia brasileira atua em defesa da paz, da promoção da paz. Essa é a postura brasileira”, disse, após agenda em São Paulo, na unidade da Mercedes-Benz.
Mais cedo, o governo federal divulgou nota condenando os ataques e expressando “grave preocupação” com a escalada militar na região. No comunicado, o Itamaraty afirmou que as ofensivas ocorreram em meio a um processo de negociação entre as partes e reiterou que o diálogo é “o único caminho viável para a paz”. O texto também pede respeito ao Direito Internacional e máxima contenção para evitar o agravamento da crise.
Além da manifestação diplomática, o Itamaraty ampliou o alerta a brasileiros na região e recomendou que sejam evitadas viagens a 11 países do Oriente Médio, entre eles Irã, Israel, Catar, Emirados Árabes Unidos, Jordânia e Líbano. O ministério também divulgou orientações de segurança para quem já se encontra nesses territórios, incluindo medidas a serem adotadas em caso de bombardeios e situações de emergência.
A posição brasileira é divulgada em um momento de sensibilidade diplomática. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem reunião prevista, no início de março, com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Interlocutores do governo avaliam que, apesar da condenação formal aos ataques, o Brasil buscará manter os canais de diálogo abertos com Washington, evitando que a crise internacional produza reflexos diretos na agenda comercial e política bilateral.
Os ataques ocorreram na manhã deste sábado, quando Estados Unidos e Israel lançaram uma ofensiva coordenada contra o território iraniano. O presidente americano afirmou que “grandes operações de combate” estão em andamento. Segundo a agência iraniana Fars, explosões foram registradas na capital Teerã e em ao menos outras quatro cidades.
Em retaliação, o Irã lançou mísseis contra Israel e realizou ataques contra bases militares dos Estados Unidos no Oriente Médio. Explosões também foram registradas em outros países da região, como Catar, Bahrein, Kuwait, Iraque, Jordânia e Emirados Árabes Unidos, nações que abrigam instalações militares norte-americanas.
A escalada do conflito impacta na logística internacional. Companhias aéreas começaram a cancelar ou redirecionar voos com destino ao Oriente Médio, enquanto autoridades de aviação civil de diferentes países fecharam espaços aéreos por razões de segurança. Segundo a imprensa estatal iraniana, um ataque atribuído a Israel deixou ao menos 51 alunas mortas em uma escola na província iraniana de Hormozgan, perto do estreito de Ormuz.
Fonte: O Tempo