Por Marcello Ambrósio
O debate sobre o consumo de ovos e seus efeitos no organismo ganhou novas perspectivas com análises de especialistas que reforçam a importância do contexto alimentar global em vez do alimento isolado. Segundo nutricionistas e endocrinologistas, o consumo de até dois ovos por dia é considerado seguro e até benéfico para a maioria das pessoas saudáveis. Rico em proteínas de alta qualidade, vitaminas lipossolúveis e compostos como luteína e zeaxantina, o ovo atua como um aliado na manutenção da saciedade e na preservação da massa magra. No entanto, o cenário muda para grupos específicos, como portadores de diabetes tipo 2, hipercolesterolemia ou doenças cardiovasculares estabelecidas, que devem manter um monitoramento mais rigoroso e, preferencialmente, limitar a ingestão.
A ciência moderna indica que, para a maior parte da população, o colesterol presente na dieta tem um impacto menos significativo nos níveis de colesterol sanguíneo do que o consumo excessivo de gorduras saturadas, presentes em carnes gordas e ultraprocessados. A gema, frequentemente evitada no passado, concentra nutrientes estratégicos como a colina, essencial para a saúde cerebral, e vitaminas A, D, E e K. Especialistas ressaltam que a exclusão da gema só deve ocorrer sob orientação terapêutica específica, uma vez que ela é a parte nutricionalmente mais densa do alimento. Por outro lado, o consumo exagerado — acima de dois ovos diariamente — pode elevar o risco vascular em indivíduos já predispostos, devido ao efeito dose-resposta observado em grandes estudos observacionais.
O modo de preparo também desempenha um papel crucial na saudabilidade do alimento. Versões cozidas ou pochê são as mais recomendadas por não agregarem gorduras extras, enquanto o uso frequente de manteiga ou óleo em ovos fritos pode comprometer o perfil lipídico do consumidor a longo prazo. Além disso, o ovo é destacado como um alimento estratégico em diferentes fases da vida: auxilia no desenvolvimento neurológico de crianças, combate a sarcopenia em idosos devido à facilidade de mastigação e ajuda na recuperação muscular de atletas.
Em suma, não existe um “número mágico” universal para o consumo de ovos, mas sim um intervalo ajustável baseado no perfil metabólico de cada indivíduo. A recomendação geral é que o alimento seja inserido em uma dieta composta majoritariamente por itens in natura e minimamente processados. Para quem busca emagrecimento, o ovo pode ser um diferencial positivo por retardar o esvaziamento gástrico e reduzir a ingestão calórica nas refeições subsequentes, desde que o plano alimentar como um todo esteja em equilíbrio com as necessidades energéticas do corpo.
