Por Marcello Ambrósio
A mãe da adolescente de 17 anos vítima de um estupro coletivo em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, quebrou o silêncio para pedir que os responsáveis pelo crime sejam punidos. Em depoimento emocionado, ela relatou o momento em que percebeu a gravidade da violência ao notar ferimentos físicos severos no corpo da filha, o que a levou a buscar socorro imediato na delegacia. Segundo a mãe, a coragem da jovem em denunciar o ocorrido é um passo fundamental não apenas para a sua própria reparação, mas para encorajar outras possíveis vítimas do mesmo grupo a se manifestarem. A polícia segue em busca de Bruno Felipe dos Santos Allegretti, João Gabriel Xavier Bertho, Mattheus Verissimo Zoel Martins e Vitor Hugo Oliveira Simonin, todos com prisão preventiva decretada e atualmente considerados foragidos.
As investigações da 12ª DP (Copacabana) revelam que o comportamento dos suspeitos já era alvo de preocupação em ambientes escolares. Vitor Hugo Simonin e um adolescente de 17 anos, também investigado no caso, acumulavam advertências e suspensões no Colégio Pedro II, uma das instituições de ensino mais tradicionais do país, por condutas inadequadas e agressões. Diante da gravidade das novas acusações, a reitoria da unidade iniciou um processo administrativo para o desligamento definitivo dos alunos. Além das sanções educacionais, o mercado esportivo também reagiu: o Serrano FC anunciou a suspensão do contrato e o afastamento imediato de João Gabriel Bertho após a expedição do mandado de prisão.
A advogada da família da vítima aponta que o caso pode ser a ponta de um iceberg, mencionando relatos de outras estudantes que teriam passado por situações de assédio ou tentativas de favorecimento sexual mediante o uso de bebidas alcoólicas envolvendo os mesmos jovens. Devido ao fato de o crime ter ocorrido entre alunos de uma instituição federal, a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados passou a acompanhar o desdobramento do inquérito. O exame de corpo de delito realizado pelo Instituto Médico Legal (IML) confirmou lesões traumáticas na região genital e em outras partes do corpo da adolescente, fornecendo provas materiais que corroboram o depoimento da jovem sobre a violência sofrida.
O crime teria sido premeditado através de mensagens de texto, nas quais o ex-namorado da vítima a convenceu a ir sozinha a um apartamento em Copacabana. Imagens de segurança analisadas pela polícia mostram o menor comemorando após a saída da adolescente do edifício, o que reforça a tese de crime planejado em grupo. Enquanto as autoridades tentam localizar os quatro adultos indiciados, a defesa de um dos acusados nega as acusações, alegando que houve consentimento e questionando a condução da investigação policial. No entanto, o Portal dos Procurados já divulgou cartazes com as fotos dos suspeitos, e a polícia civil solicita que qualquer informação sobre o paradeiro do grupo seja reportada imediatamente.
