Por Marcello Ambrósio
O banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, foi preso pela Polícia Federal na manhã desta quarta-feira em São Paulo, durante a terceira fase da Operação Compliance Zero. A ação, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, investiga um esquema bilionário de fraudes financeiras que envolveria a comercialização de títulos de crédito falsos. Além de Vorcaro, o seu cunhado, Fabiano Zettel, também é alvo de um mandado de prisão preventiva e informou, por meio de sua defesa, que pretende se apresentar às autoridades. A operação incluiu ainda ordens de busca e apreensão e o bloqueio de bens no valor de até R$ 22 bilhões, visando interromper a movimentação de ativos do grupo investigado.
A investigação aponta para a existência de uma organização criminosa envolvida em crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, invasão de dispositivos informáticos e gestão fraudulenta. O nome da operação, Compliance Zero, é uma referência direta à suposta ausência de controles internos adequados nas instituições envolvidas para evitar práticas ilícitas e manipulação de mercado. Esta não é a primeira vez que Vorcaro é detido; em novembro do ano passado, ele já havia sido preso ao tentar embarcar em um voo particular para a Europa, sob suspeita de tentativa de fuga do país. As atuais medidas judiciais contam com o suporte técnico do Banco Central do Brasil para rastrear os ativos e preservar valores relacionados às práticas apuradas.
A prisão de Daniel Vorcaro ocorreu no mesmo dia em que ele era aguardado para prestar depoimento à CPI do Crime Organizado, em Brasília. Embora o ministro André Mendonça tivesse decidido anteriormente que o comparecimento do banqueiro à comissão seria facultativo, a nova fase da operação policial antecipou o encontro de Vorcaro com a justiça, encaminhando-o diretamente para a Superintendência da Polícia Federal. Até o momento, a defesa do banqueiro não emitiu um posicionamento oficial sobre as acusações detalhadas nesta nova etapa da investigação.
A Operação Compliance Zero segue em andamento em São Paulo e Minas Gerais, buscando desarticular o suporte financeiro do esquema e identificar outros possíveis envolvidos na venda de títulos falsos. O bloqueio recorde de ativos determinado pelo STF reflete a magnitude do prejuízo estimado aos cofres e ao sistema financeiro nacional. As autoridades reforçam que as investigações continuam em sigilo para garantir a coleta de provas e o desmantelamento total da estrutura criminosa apontada pelos relatórios da PF e do Banco Central.
