Por Marcello Ambrósio
O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, subiu o tom contra o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após o anúncio de um corte total nas relações comerciais entre os dois países. Em pronunciamento oficial, Sánchez afirmou que o líder norte-americano está “brincando de roleta russa” com o destino de milhões de pessoas ao intensificar a guerra contra o Irã. A crise diplomática escalou após o governo espanhol proibir que aeronaves militares dos EUA utilizem bases navais e aéreas em seu território para lançar ataques contra Teerã, classificando as ofensivas como imprudentes e ilegais perante o direito internacional.
A retaliação de Trump foi imediata e agressiva. Durante uma coletiva na Casa Branca, ao lado do chanceler alemão Friedrich Merz, o republicano declarou que instruiu o Departamento do Tesouro a romper os laços comerciais com Madri, alegando que a Espanha tem sido “terrível” ao negar o uso das bases. Trump sugeriu ainda que os EUA poderiam simplesmente ignorar a soberania espanhola e utilizar as instalações militares à revelia do governo local. Em resposta, Sánchez reiterou o lema “Não à guerra”, sustentando que seu país não será cúmplice de ações contrárias aos seus valores apenas por medo de represálias econômicas.
O líder espanhol utilizou o histórico da Guerra do Iraque para alertar sobre as consequências imprevisíveis de um novo conflito em larga escala, citando o risco de aumento do terrorismo e a desestabilização dos preços globais de energia. A Comissão Europeia manifestou apoio à Espanha, sinalizando prontidão para defender os interesses do bloco diante das sanções unilaterais de Washington. Enquanto isso, o Irã ameaça retaliar atingindo centros econômicos em todo o Oriente Médio, o que já provocou uma disparada no preço do barril de petróleo, que superou a marca dos 85 dólares.
Apesar das críticas internacionais, Trump manteve uma postura otimista sobre os resultados militares, afirmando que os recentes bombardeios destruíram lideranças-chave da Assembleia dos Peritos iraniana. Segundo o presidente norte-americano, a ofensiva é necessária para eliminar a ameaça do regime de Teerã, a quem acusa de atacar instalações civis. O embate entre Madri e Washington marca um dos momentos de maior tensão na aliança transatlântica nas últimas décadas, colocando em xeque os acordos bilaterais e a cooperação de segurança no continente europeu.
