Por Marcello Ambrósio
As investigações sobre o estupro coletivo ocorrido em Copacabana revelam um perfil inesperado dos acusados: jovens vindos de famílias estruturadas e matriculados em algumas das instituições de ensino mais prestigiadas do Rio de Janeiro. Entre os réus e investigados estão alunos da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) e do tradicional Colégio Pedro II, além de atletas de futebol profissional. A gravidade do caso aumentou nesta semana com o surgimento de novas denúncias, indicando que o grupo pode ter feito outras vítimas em ocasiões anteriores, utilizando-se de convites para residências particulares e a posterior gravação de imagens dos abusos.
Entre os nomes citados, destaca-se Vitor Hugo Oliveira Simonin, de 18 anos, que está foragido. Ele é filho do subsecretário estadual de Governança do Rio de Janeiro e já é alvo de uma segunda investigação de estupro registrada nesta terça-feira. Outro réu, Mattheus Veríssimo Zoel Martins, atleta sub-20, foi preso e também responde por uma denúncia de crime ocorrido anos atrás, quando a vítima tinha apenas 14 anos. O grupo conta ainda com João Gabriel Xavier Bertho, jogador de futebol profissional que teve seu contrato suspenso pelo Serrano FC após ser preso, e Bruno Felipe dos Santos Allegretti, estudante da Unirio, que foi suspenso pela universidade por 120 dias e segue foragido.
A Polícia Civil trabalha com a hipótese de que o grupo agia de forma coordenada. Relatos de vítimas apontam um padrão de comportamento que envolve o uso de redes sociais para aproximação e o posterior cerceamento da liberdade das jovens em ambientes privados. Um menor de idade, também aluno do Pedro II, é investigado por participação nos atos. Devido à influência e às conexões dos envolvidos, o caso tem sido acompanhado de perto por órgãos de defesa dos direitos humanos, que cobram rigor na apuração para evitar que o status social dos réus interfira no processo judicial.
A repercussão do crime forçou as instituições de ensino e clubes esportivos a tomarem medidas drásticas de afastamento, visando preservar a segurança de suas comunidades e repudiar a conduta dos acusados. Enquanto a polícia tenta localizar os dois foragidos, o delegado responsável pelo caso incentiva que outras possíveis vítimas procurem a delegacia para prestar depoimento, garantindo o sigilo das identidades. O processo agora segue na justiça, com os réus respondendo por estupro coletivo e cárcere privado.
