Por Marcello Ambrósio
A investigação sobre o estupro coletivo de uma adolescente de 17 anos em Copacabana avançou nesta terça-feira (3) com a rendição de dois dos quatro principais suspeitos. Mattheus Verissimo Zoel Martins e João Gabriel Xavier Bertho, ambos de 19 anos, apresentaram-se às autoridades no Rio de Janeiro após terem seus pedidos de habeas corpus negados pela Justiça. Com a aceitação da denúncia pelo Ministério Público, os quatro jovens envolvidos tornaram-se réus pelos crimes de estupro de vulnerável (devido à idade da vítima) e cárcere privado. Enquanto Mattheus e João Gabriel foram transferidos para o sistema prisional, Bruno Felipe dos Santos Allegretti e Vitor Hugo Oliveira Simonin permanecem foragidos.
O caso ganhou camadas ainda mais graves com o surgimento de novas denúncias. Entre segunda e terça-feira, mais duas jovens procuraram a polícia relatando terem sido abusadas pelo mesmo grupo em ocasiões distintas. Uma das adolescentes afirmou ter sido violentada aos 14 anos na casa de Mattheus Verissimo, crime que teria sido gravado e divulgado pelos agressores. A outra denúncia aponta Vitor Hugo Simonin — filho de um subsecretário estadual — como o autor de um abuso. Esses novos relatos reforçam a tese de que os réus utilizavam métodos semelhantes de aproximação para cometer as violências, frequentemente filmando os atos para exposição das vítimas.
O laudo do Instituto Médico Legal (IML) confirmou a brutalidade do ataque ocorrido em 31 de janeiro, identificando lesões físicas severas e marcas de violência abdominal. Imagens de câmeras de segurança também corroboram a dinâmica do crime, mostrando o momento em que o ex-namorado da vítima, um menor de idade, “comemorava” após a saída da adolescente do apartamento. O Ministério Público destacou a “brutalidade dos atos sexuais” ao fundamentar a denúncia. O envolvimento do filho de um alto funcionário do governo estadual gerou notas de repúdio da Secretaria de Desenvolvimento Social e da Secretaria da Mulher, que garantiram apoio psicológico e jurídico à vítima de 17 anos.
Atualmente, a Polícia Civil mantém buscas intensas pelos dois réus que ainda não se entregaram e aguarda a decisão da Vara da Infância sobre a apreensão do menor envolvido. As defesas dos jovens alegam que as relações foram consensuais, argumento que tem sido contestado pelas evidências materiais e pelos depoimentos coerentes das múltiplas vítimas. O caso segue sob segredo de Justiça na 1ª Vara Especializada de Crimes contra a Criança e o Adolescente, enquanto a sociedade fluminense acompanha o desfecho de um dos crimes de maior repercussão no estado em 2026.
