Por Marcello Ambrósio
Ciente de que não pode vencer uma guerra convencional, Teerã aposta em prolongar o conflito, fechar rotas econômicas vitais e usar drones para exaurir os sistemas de defesa adversários.
Analistas de segurança internacional indicam que o Irã não busca uma vitória militar clássica contra os Estados Unidos e Israel. Em vez disso, a estratégia de Teerã baseia-se em uma “guerra de atrito”, projetada para tornar o custo da vitória ocidental insuportável, tanto financeira quanto politicamente.
Os Pilares da Sobrevivência Iraniana:
- Drenagem de Recursos: O Irã utiliza drones “kamikazes” (como o Shahed) para forçar Israel e os EUA a gastarem mísseis interceptadores de altíssimo custo. É uma matemática desigual: um drone barato exige um sistema de defesa de milhões de dólares para ser derrubado.
- A Arma Econômica: O fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo mundial, é a cartada mais perigosa de Teerã. Ao bloquear o fluxo de energia, o Irã tenta pressionar a economia global para que os países vizinhos forcem os EUA a buscar um acordo.
- Cidades de Mísseis: O país mantém vastos estoques em instalações subterrâneas profundas. Embora o Pentágono afirme que a capacidade de lançamento iraniana caiu drasticamente (cerca de 86% desde o início), essas “cidades” garantem que o país ainda tenha poder de retaliação.
- Guerra Psicológica: Especialistas apontam que o Irã tem mirado áreas civis para instilar temor e trauma, tirando o foco apenas de alvos militares e gerando pressão popular dentro de Israel.
O Fator Resiliência e o Risco de Colapso
O Irã possui um exército de 610 mil militares e uma rede de aliados regionais (o Eixo da Resistência). No entanto, a estratégia enfrenta dois grandes riscos:
- Exaustão das Tropas: Há relatos de que operadores de mísseis estão sob estresse extremo, o que tem causado imprecisões e disparos acidentais.
- Isolamento Regional: A estratégia de atacar bases americanas em países vizinhos pode sair pela culatra. Países do Golfo, que inicialmente se opunham à guerra, podem acabar apoiando a campanha dos EUA para encerrar a ameaça imediata às suas próprias fronteiras.
Enquanto Donald Trump afirma que a liderança iraniana “se foi” e que é “tarde demais para conversar”, Teerã parece disposta a testar até onde vai a paciência e o orçamento de Washington em um conflito sem data para terminar.
