A adoção do turno fixo na unidade da ArcelorMittal em João Monlevade, previsto para amanhã (10), pode provocar redução na remuneração de até 34%, impactando os empregados que atualmente trabalham em regime de revezamento. As informações constam em um boletim divulgado pela própria empresa aos trabalhadores nos últimos dias.
Segundo o comunicado, com o encerramento do acordo de turno vigente, alguns benefícios previstos atualmente deixariam de existir no modelo de turno fixo. Entre eles estão o adicional de 9,5% sobre o salário, a vantagem pessoal de 11,7% concedida a parte dos empregados e a folga de sete dias durante a vigência do acordo.
Também deixariam de valer a manutenção de adicionais em convocações administrativas por até 90 dias e a proibição de convocação para treinamentos nos três últimos dias do período de 7h às 15h.
Impacto varia conforme horário
De acordo com os cálculos apresentados pela empresa, o impacto na remuneração varia conforme o horário do turno fixo e o salário base do empregado. No turno das 7h às 15h, considerado o de maior impacto, as perdas podem chegar a 34,4% da remuneração total em comparação ao modelo atual de revezamento. Nesse cenário, um trabalhador com salário base de R$ 5.082,96, por exemplo, poderia ter redução de cerca de R$1.747,16.
No turno das 15h às 23h, a variação negativa pode alcançar 27,6%, o que representaria uma diminuição de aproximadamente R$1.477,04 para a mesma faixa salarial. Já no turno noturno, das 23h às 7h, a empresa aponta que pode haver pequeno acréscimo na remuneração total, em razão dos adicionais noturnos fixos. Para um salário base de R$5.082,96, o aumento estimado seria de cerca de 0,78%, equivalente a R$ 53,66.
Conforme apurado pelo A Notícia, já está em andamento a adequação das turmas para começar o turno fixo nesta terça. A definição de cada horário foi feita no começo do mês, após consulta direta a trabalhadores em alguns setores, sobretudo, com menos pessoas. Já os demais seguirão conforme o horário previsto para começar amanhã (10). A empresa afirma que poderá realizar ajustes e redistribuições de trabalhadores nas semanas seguintes ao início da mudança.
Impasse no acordo
No documento, a ArcelorMittal Monlevade ressalta que a adoção do turno fixo é uma alternativa para atender às necessidades operacionais e cumprir a legislação na ausência de um acordo de turno válido.
A companhia também afirma que apresentou proposta para renovar o acordo atual de turno de revezamento, mantendo o modelo vigente e preservando os benefícios existentes, como os adicionais salariais, as folgas e as regras de convocação. Para que essa renovação ocorra, segundo a empresa, seria necessária a convocação de uma assembleia pelo Sindicato dos Metalúrgicos de João Monlevade (Sindmon-Metal) para que os trabalhadores deliberem sobre a proposta.
Porém, como informado pelo A Notícia, os trabalhadores definiram em assembleia no dia 9 de janeiro pela não renovação da tabela atual e aprovaram adoção de regime de trabalho 12h por quatro dias de trabalho e quatro dias de folga (12x4x4). No entanto, essa possibilidade foi descartada pela empresa. O prazo para definir o acordo da jornada de trabalho se encerrou no dia 28 de fevereiro, sem acordo aprovado. Portanto, a partir daí, a empresa anunciou que deverá adotar regime conforme a legislação vigente, mantendo turno fixo.
Fonte: A Noticia Regional