Por Tatiana Santos
A luta pelo fim da violência contra a mulher ganha novos contornos quando observamos o cenário das mulheres neurodivergentes, ou seja, autistas, pessoas com TDAH, bipolaridade etc. A cada hora no Brasil, uma pessoa com deficiência é vítima de violência, sendo que a maior parte desses casos acontece dentro de casa e tem mulheres como principais vítimas. Os dados são do Atlas da Violência.
A advogada e pesquisadora sobre inclusão, Amanda Teixeira esclarece que, embora a agressão física seja a forma mais visível, a questão da violência de gênero é vasta. “Com a Lei Maria da Penha, se tornou violência contra a mulher, a violência física, a emocional, violência patrimonial, moral e a violência sexual”, explica.
A Lei Maria da Penha resultou da luta de Maria da Penha Maia Fernandes, que após sofrer violência doméstica em 1983, viu a justiça ser feita somente 19 anos depois. A lei identifica cinco tipos de violência que vão além da agressão física, expressa em socos e empurrões, por exemplo. O abuso também se manifesta de forma moral, através de ofensas e humilhações. A violência sexual é quando o corpo da mulher é violado mesmo dentro do casamento. Além disso, existe a violência patrimonial, que usa o controle do dinheiro e dos bens para desamparar a vítima, e ainda, há a emocional, focada em destruir a autoestima, reputação e a saúde mental da mulher.

Controle como arma de manipulação
Dra. Amanda destaca que no caso de mulheres neurodivergentes, a violência patrimonial é usada de um jeito ainda mais cruel. Segundo a especialista, é comum que o agressor use o dinheiro ou itens essenciais para forçar a mulher a fazer o que ele quer: “Eles limitam o plano de saúde, cortam qualquer valor que seja repassado para fins de terapia também para que ela possa ficar desamparada”. Como explica, o objetivo é claro: “Eles proíbem o uso do carro, privam os filhos de necessidades básicas para fazer a mulher se sentir culpada. Essa é a violência patrimonial que acaba afetando o psicológico, o emocional e a moral”, diz.
Abuso psicológico e a bandeira vermelha
Ainda conforme a advogada, a identificação do abuso psicológico é fundamental para que a vítima possa buscar ajuda antes que a violência escale. Ela orienta que qualquer tentativa de diminuir a mulher, especialmente utilizando sua condição de saúde ou deficiência como pretexto, configura uma violência. “Quando você perceber que a pessoa que está perto de você, seja seu marido, seu pai, seu irmão, está te denegrindo, diminuindo, ofendendo ou te constrangendo, inclusive te diminuindo em razão do seu transtorno ou deficiência, isso também é uma violência psicológica”, alerta.
A especialista alerta que o isolamento social é uma das bandeiras vermelhas mais perigosas e que um dos objetivos é fazer com que a mulher se afaste dos amigos, da família e da sociedade, para que ele tenha o controle total da situação.