Por Marcello Ambrósio
O desaparecimento da corretora de imóveis gaúcha Luciani Aparecida Estivalet Freitas, de 47 anos, transformou a rotina da Praia do Santinho, em Florianópolis, em um cenário de investigação e angústia. O que começou como uma preocupação familiar com mensagens de texto estranhas evoluiu para um caso de polícia, após o irmão de Luciani encontrar o apartamento da irmã em um estado que contradiz completamente sua personalidade organizada: comida estragada, louça acumulada e um silêncio que já dura mais de uma semana.
A peça central desse quebra-cabeça são as comunicações enviadas pelo celular da corretora. Conhecida pelo rigor gramatical e pela pontualidade nos negócios, Luciani teria passado a enviar mensagens repletas de erros de português e justificativas vagas para atrasos em repasses de aluguéis. Em um dos textos, ela afirmava estar sendo perseguida por um ex-namorado, mas o tom da escrita acendeu o alerta na família. “Ela nunca escreveu ‘pesso’ ou ‘precionando’. Sabíamos na hora que algo estava errado”, relatou seu irmão, Matheus Freitas.
Ao entrar no apartamento com autorização policial na última segunda-feira (9), a desordem na cozinha — com restos de alimentos apodrecendo na pia — sugeriu que o local foi abandonado às pressas há dias. Profissionalmente respeitada na região do Norte da Ilha, Luciani também parou de dar retorno a proprietários de imóveis que ela administra, o que reforça a hipótese de que ela não está em posse de suas faculdades habituais ou de sua liberdade.
A Polícia Civil de Santa Catarina mantém o sigilo sobre as linhas de investigação, mas o caso já mobiliza as redes sociais e a comunidade de corretores da capital. Entre as pistas digitais e o rastro físico de abandono no Santinho, a família busca respostas para uma pergunta que ecoa a cada dia que passa: quem está, de fato, enviando as mensagens pelo celular de Luciani?
