Por Marcello Ambrósio
O destino de Daniel Vorcaro tornou-se o assunto mais urgente nos corredores do Congresso Nacional. O banqueiro, preso no centro do caso Master, é visto como uma ameaça real à estabilidade de diversas lideranças do Centrão. O medo é um só: que o isolamento em um presídio federal de segurança máxima quebre a resistência do empresário e o leve a uma delação premiada, expondo conexões financeiras e políticas até então ocultas.
Para evitar esse cenário, a estratégia política agora se concentra na matemática dos votos da Segunda Turma do STF, que começa a julgar a liberdade de Vorcaro nesta sexta-feira (13). O movimento ganhou força após o ministro Dias Toffoli se declarar suspeito para atuar no caso. Sem Toffoli, o julgamento será decidido por apenas quatro ministros: o relator André Mendonça, Gilmar Mendes, Nunes Marques e Luiz Fux.
Essa ausência é a grande aposta dos articuladores políticos. No Supremo, em julgamentos criminais, o empate favorece o réu. Dessa forma, se o grupo conseguir convencer dois dos quatro ministros de que a prisão preventiva de Vorcaro é desnecessária ou excessiva, ele será posto em liberdade imediatamente.
A contagem de votos é tensa. Enquanto André Mendonça é o autor da ordem de prisão e Luiz Fux costuma manter uma postura mais rígida em casos de crimes financeiros, a esperança do Centrão recai sobre os ministros Gilmar Mendes e Nunes Marques, conhecidos por serem críticos a prisões preventivas que se estendem por muito tempo.
As “mensagens-bomba” encontradas nos aparelhos de Vorcaro continuam sendo a grande sombra sobre o processo. Se a Segunda Turma mantiver o banqueiro preso, o Centrão sabe que a pressão para uma delação aumentará exponencialmente, podendo transformar o caso Master no grande divisor de águas da política brasileira antes das eleições de 2026.
