Por Marcello Ambrósio
Três semanas após o início da ofensiva conjunta entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, o presidente Donald Trump enfrenta um cenário de isolamento diplomático e militar. O centro do conflito agora é o Estreito de Ormuz, uma das rotas de escoamento de petróleo mais vitais do planeta, que permanece bloqueada pelos iranianos. Em busca de reforços para reabrir a passagem, Trump cobrou o envio de navios de guerra de seus aliados, mas a resposta global foi um sonoro “não”.
A “Revolta” Europeia e o Tom Alemão
A negativa mais contundente veio da Alemanha. O governo alemão subiu o tom, questionando a eficácia de enviar fragatas europeias para um conflito que, segundo eles, os EUA iniciaram sozinhos e sem consulta prévia. “Essa não é a nossa guerra”, disparou o ministro da Defesa alemão, ecoando o sentimento de outros países como Itália, Espanha e Grécia, que também recusaram o pedido.
A tensão respinga diretamente na Otan. Trump, em entrevista ao Financial Times, sugeriu que a falta de cooperação pode ter consequências graves para o futuro da aliança militar do Ocidente.
Incertezas e Cautela na Ásia
Enquanto o Reino Unido, sob o comando de Keir Starmer, ainda oscila entre a solução diplomática e o apoio militar, outros gigantes globais já definiram suas posições:
- Japão e Austrália: Rejeitaram o envio de embarcações para o Golfo Pérsico.
- China: Manteve a neutralidade, mas exigiu a interrupção das ações militares para proteger o comércio energético mundial.
- Irã: O chanceler Abbas Araghchi afirmou que o estreito está aberto para “nações amigas”, mantendo o bloqueio apenas para os que considera inimigos.
Frustração na Casa Branca
De volta a Washington, Donald Trump não escondeu o desapontamento. O presidente americano criticou abertamente os governos que, segundo ele, foram protegidos pelos EUA durante décadas e agora demonstram baixo “nível de entusiasmo” em retribuir o apoio.
O impasse coloca o mercado de energia em estado de alerta, já que o bloqueio prolongado de Ormuz pode disparar os preços globais do petróleo e agravar a crise econômica que já acompanha os desdobramentos desta guerra.
