Por Tatiana Santos
O itabirano Ronan Geraldo dos Santos, morador do bairro Água Fresca, se prepara para encarar, em 4 de abril, mais de 300 quilômetros do Caminho da Fé com destino à Basílica Nacional de Aparecida, interior de São Paulo. O detalhe que transforma o trajeto em um teste de resistência e espiritualidade é o meio de transporte escolhido: a bicicleta.
Para Ronan, a pedalada de 320 quilômetros ultrapassa o esforço físico, se mostrando um altar em movimento. Ele enfatiza que a jornada é uma resposta direta aos livramentos recebidos ao longo da vida, transformando o cansaço em uma oração. “Eu não tinha uma grande fé igual tenho hoje. Mas, depois de um acidente que tive, vendo minha mãe fazer as orações dela, eu comecei a alimentar minha fé. O Caminho da Fé é como a vida da gente. Tem altos e baixos, dias cansativos e estressantes, mas no final, é só agradecer. A gente não veio a este mundo à toa. Deus nos deu esse mundão para aproveitarmos o melhor dele”, filosofa.

A ideia de percorrer o caminho sobre duas rodas nasceu de um momento de vulnerabilidade. Em 2003, após sofrer um acidente grave que o impediu temporariamente de falar, Ronan encontrou na oração a força para firmar uma promessa. “Eu não conseguia falar e prometi que ia fazer uma promessa até Aparecida. Como eu gosto de pedalar, decidi que seria pelo cicloturismo”, relembra. O desejo de agradecer foi reforçado por livramentos mais recentes, como um episódio de violência em seu comércio onde saiu ileso. Com isso, quis honrar a sobrevivência pedalando.
Desafios do trajeto
O mesmo roteiro o peregrino fez em 2024, e mesmo familiar, impõe desafios. Após o deslocamento inicial de ônibus saindo de Itabira a Belo Horizonte, e da capital mineira até Águas da Prata (SP), Ronan iniciará o pedal que deve durar entre cinco e seis dias. O maior obstáculo é um trecho da Serra da Mantiqueira com aproximadamente 13 quilômetros de subida ininterrupta, chammada Luminosa.
“Não tem como subir montado na bicicleta, é só empurrando. Gastei quatro horas para fazer essa subida na primeira vez”, conta o peregrino. Além da inclinação, a segurança dita o ritmo e o ciclista evita pedalar à noite devido à presença de animais silvestres, como onças, lobos e cobras que saem para caçar na região serrana.
Diferente de quem busca recordes de velocidade, Ronan se identifica com o estilo contemplativo. “Sou o ciclista ‘peba’, aquele que leva o biscoitinho na mochila e para para tirar foto na cachoeira. A gente só tem hora para sair da pousada, não tem hora para chegar”, explica, com bom humor.
Solidariedade de irmãos na fé
Durante o percurso, ele contará com a rede de solidariedade do Caminho da Fé, que inclui pontos de apoio com a ideia de compartilhamento: “Leva o que você precisa e deixa o que você não precisa”. Para garantir que a experiência seja eternizada e compartilhada com quem o apoiou, Ronan planeja um registro minucioso. Diferente de sua primeira viagem, desta vez ele utilizará as redes sociais e o YouTube para postar atualizações diárias dos trajetos, exibindo a bandeira com a logomarca de seus parceiros e patrocinadores. A viagem ocorre durante a Semana Santa, com chegada prevista para coincidir com a tradicional Festa de São Benedito, em Aparecida.
Para custear a hospedagem e manutenção, o ciclista promove uma rifa solidária de um kit churrasco, que será sorteada no dia 15 de abril, após seu retorno a Itabira. O valor é de R$ 2,00. Contato para interessados: (31) 98722-4060 (WhatsApp).