Por Marcello Ambrósio
O coordenador de departamento pessoal Ailton Alves de Sousa, de 41 anos, vive um pesadelo recorrente em São Paulo devido a falhas no sistema Smart Sampa. Morador de Heliópolis, Ailton foi conduzido à delegacia quatro vezes nos últimos sete meses após ser confundido com um foragido da Justiça de Mato Grosso. As abordagens ocorreram em situações cotidianas: ao sair de casa, no ambiente de trabalho, durante uma corrida de rua e até enquanto acompanhava a mãe em uma consulta hospitalar.
O erro persiste mesmo com discrepâncias evidentes entre o inocente e o verdadeiro criminoso. O foragido nasceu em 1972 (12 anos de diferença), possui grafia diferente no sobrenome (“Souza” com Z, enquanto o paulistano usa “Sousa” com S) e nomes de pais e mães distintos. Apesar dos pedidos da defesa para a exclusão dos dados de Ailton do sistema de monitoramento, as notificações de “alerta” continuam sendo enviadas à Polícia Militar, que afirma apenas cumprir o que consta no Banco Nacional de Mandados de Prisão.
Em resposta, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou que notificou o Conselho Nacional de Justiça para corrigir a inconsistência e que removeu a foto de Ailton da base estadual. Já a Prefeitura de São Paulo alegou que não houve falha no programa, justificando que o sistema apenas emite alertas baseados em dados de órgãos externos, como o Poder Judiciário. Enquanto o impasse burocrático entre as esferas municipal e estadual não é resolvido, Ailton relata viver sob constante medo e constrangimento, temendo ser abordado a qualquer momento em sua rotina.
