Por Marcello Ambrósio
O projeto aprovado em 1º turno pela câmara municipal cria a chamada operação urbana simplificada (ous), que vale por 12 anos. a ideia da prefeitura é incentivar o “retrofit” (modernização de prédios antigos), a finalização de obras abandonadas e a construção de moradias populares. para isso, o governo oferece bônus generosos: as construtoras poderão construir prédios até 70% maiores do que o permitido hoje, usando uma nova moeda chamada unidade de regeneração (ur). além disso, há isenção de iptu por até 10 anos para habitações de interesse social e perdão de dívidas antigas de impostos. bairros como floresta, santa efigênia e barro preto estão na mira dessa transformação, que busca trazer mais gente para morar perto do trabalho e dar vida nova a galpões e estacionamentos subutilizados.
Por outro lado, o projeto enfrenta uma resistência forte. urbanistas da ufmg alertam que bh corre o risco de repetir erros do passado, criando “paredões” de prédios colados uns aos outros, o que prejudica a ventilação (microclima) e o trânsito, já que não houve estudos de impacto detalhados. o maior medo é a gentrificação: o processo onde o custo de vida sobe tanto que os moradores tradicionais acabam expulsos por novos empreendimentos de luxo. enquanto a associação de arquitetos vê uma chance de ouro para recuperar espaços ociosos e aumentar a segurança no centro, críticos e oposição na câmara afirmam que o texto beneficia excessivamente as grandes construtoras sem ouvir a sociedade civil. a audiência de hoje é o palco onde esses dois mundos vão colidir antes da votação final.
