Um homem de 55 anos foi indiciado por estupro de vulnerável contra uma criança de 9 anos. Segundo a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), o crime foi cometido contra a própria enteada. O inquérito foi concluído na última quinta-feira (23/4), cerca de um ano após o início das investigações — em junho do ano passado —, conduzidas pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Betim.
A denúncia foi registrada pela mãe da vítima. Os depoimentos da denunciante, da avó e da tia da criança — testemunhas a quem o crime foi revelado — constam no inquérito de quase 60 páginas. Os relatos indicam que os abusos ocorriam na residência da menina desde que a mãe e o suspeito começaram a se relacionar. “A companheira do suspeito relatou que a filha havia contado os fatos para a tia e a avó materna, mas que não acreditava que tivesse ocorrido”, afirmou a titular da Deam em Betim, delegada Patrícia Godoy.
“Pelos relatos, os abusos ocorriam há cerca de três anos, mas a menina não teve coragem de contar antes, pois afirmava que a mãe iria defender o investigado”, destacou a delegada, acrescentando que, segundo os depoimentos colhidos, a criança descreveu uma série de comportamentos atribuídos ao padrasto, “incluindo exposição do órgão genital, toques íntimos e outras condutas de natureza sexual ocorridas em diferentes momentos”.
Durante a investigação da PCMG, o investigado optou por não prestar declarações.
Versões
Para a avó e a tia da criança, os relatos foram consistentes e detalhados, apontando que os episódios teriam ocorrido de forma reiterada ao longo do tempo. “As duas testemunhas também afirmaram que a criança apresentou mudanças de comportamento, como queda no rendimento escolar e resistência a contato físico”, frisou Godoy.
A investigação aponta ainda que a menina manteve sua versão dos fatos mesmo após sofrer pressão psicológica. “Conforme apurado, a mãe teria enviado mensagens sugerindo que a filha poderia estar confundida e alertando sobre possíveis consequências das acusações. A avó também relatou que a criança teria sido orientada a não repetir as denúncias em depoimentos formais”, descreveu a delegada.
Segundo a policial, o depoimento prestado pela mãe foi considerado contraditório. “Ela afirmou que o companheiro não ficava a sós com a filha e que um dos episódios relatados poderia ter sido um equívoco. No entanto, essa versão foi contestada por outros depoimentos, que indicam situações em que a criança e o suspeito estavam sozinhos”, concluiu.
O inquérito policial será encaminhado ao Poder Judiciário para os procedimentos legais cabíveis.
Fonte: O Tempo