A paciência é uma grande virtude, e necessitamos dela por toda a vida, pois é com ela que seguimos aprendendo — sempre mais, muito mais. Hoje, tudo se quer resolver às pressas. Os desejos precisam ser atendidos imediatamente, com um simples apertar de botão. No entanto, a vida não é uma máquina que produz apenas dias bons, não é verdade? Desde o momento em que nascemos e passamos a compreender nossa existência, convivemos com dias melhores e dias piores.
Os dias bons passam depressa, muito depressa, mas os dias maus também passam — essa é outra verdade. Quando as coisas parecem horríveis, muito depende do nosso estado interior. A paz que tanto reclamamos não possuir, ou que dizemos não encontrar, também depende de nós e do nosso espírito. A compreensão que você, caro ouvinte, busca a cada passo da vida, depende igualmente de você, assim como a bondade que admira nas pessoas e talvez deseje cultivar. O diálogo, base de toda boa convivência, também nasce dessa disposição interior. Esses pressupostos dependem exclusivamente de você — de mais ninguém.
Assim é a vida. Às vezes, quando se quer tudo, tudo se perde — outra realidade inquestionável. Na correria do dia a dia, já não encontramos tempo nem espaço para refletir sobre mensagens de esperança e otimismo, nem para fazer uma mínima consideração sobre a forma como estamos conduzindo a nossa existência. Vivemos em um século marcado por luzes e sombras, por esperanças e pesadelos. Novos ventos sopram, muitas vezes gratificantes e consoladores, trazendo lições inesperadas.
Entretanto, as múltiplas tarefas, o ritmo acelerado do nosso tempo e as inúmeras solicitações externas vão, pouco a pouco, podando partes de cada pessoa. Com isso, a disponibilidade para uma pausa reflexiva se esvai. Nos desertos da vida moderna, já não encontramos tempo para alimentar o espírito com uma oração sincera, um momento de fé verdadeira.
Na busca pela felicidade, esquecemos o valor dos gestos humildes, das palavras silenciosas e das pequenas coisas do cotidiano. Tendemos a supervalorizar o grandioso, o inédito, o espetacular — e, com isso, perdemos o apreço pelos detalhes, o gosto pela vida simples e pelo trabalho minucioso e bem feito. Perdemos, também, a simpatia por aquilo que é simples e despojado.
A humildade, afinal, é o silêncio permanente do coração. Já pensou nisso, caro ouvinte? Ser humilde é não se deixar dominar por problemas, é não viver descontente, irritado ou ofendido. É não se surpreender com o que vem contra nós, mas compreender que tudo acontece sob a graça de Deus. Significa que, quando formos repreendidos ou desprezados, ainda assim podemos nos recolher ao nosso interior — esse lar abençoado que carregamos —, fechar a porta, ajoelhar em espírito e encontrar, diante do Pai, uma paz profunda, como um mar em calmaria. E, então, tudo ao nosso redor se torna silêncio, sem agitação, sem excessos.
Pense nisso.