Por Tatiana Santos
O que acontece quando a batida do rap encontra o ambiente escolar? Para centenas de alunos da rede pública de Itabira, essa combinação tem sido a chave para abrir novos horizontes. O rapper e compositor itabirano Thiago SKP tem percorrido as salas de aula da cidade com um projeto que utiliza a cultura hip hop como ponte para o universo literário.
O trabalho foca especialmente em estudantes de periferia, promovendo o incentivo à leitura e o desenvolvimento da interpretação de texto através das rimas. Mais do que uma aula de música, a iniciativa busca a transformação social, auxiliando os jovens a vencerem a timidez e a desenvolverem uma visão crítica sobre a própria realidade.
A proposta de SKP não é sobre entretenimento somente. Existe um cuidado pedagógico em cada oficina, com foco em resultados que possam refletir no boletim escolar e na convivência familiar dos participantes. “Trabalhamos essas frentes com uma metodologia única que impacta não só o desempenho escolar, mas também a vida pessoal e familiar desses jovens. É o hip hop como ferramenta de transformação social e de abertura de perspectivas. A mente e o paraquedas funcionam melhor quando estão abertos, a essência é viva”, afirmou o artista durante uma entrevista na Rádio Pontal.
Pioneirismo
A atuação de Thiago nas comunidades não é recente. Com 18 anos de estrada, o rapper foi pioneiro ao levar o gênero para dentro das instituições de ensino, enfrentando barreiras que iam muito além da falta de recursos. Em 2008, o reconhecimento veio com o “Grammy da Periferia”, uma premiação de votação popular em Itabira que destacou seu nome.
Porém, ele recorda que o sucesso trouxe à tona a resistência de parte da cidade. Essa trajetória é marcada pelo pioneirismo de sua atuação nas escolas desde 2008, pelo reconhecimento através de importantes premiações populares na cidade e por uma quebra de paradigma, combatendo o preconceito social contra o gênero musical.
“O preconceito não veio da periferia. O preconceito veio da sociedade. Tipo, que música é essa que está ganhando espaço? Isso é música de marginal?”, relembrou SKP em entrevista, destacando que a aceitação do rap como ferramenta educativa foi uma conquista desafiadora, mas necessária para que hoje o hip hop seja respeitado.