Por Tatiana Santos
O Maio Preto é uma campanha que tem por finalidade conscientizar a população sobre o melanoma, o tipo mais agressivo de câncer de pele. Apesar de representar uma pequena parcela dos casos de tumores cutâneos, tende a se espalhar rápido para outros órgãos, sendo muito perigoso. A dermatologista Daniela Miolo, que atende em Itabira, reforça que a informação é a principal ferramenta para salvar vidas.
Os três tipos principais de câncer de pele são o carcinoma basocelular (mais comum e de crescimento lento), o carcinoma espinocelular e o melanoma. Os carcinomas dão sinais através de feridas que não cicatrizam ou sangram levemente, já o melanoma surge a partir de uma pinta que sofre transformação ou como uma nova mancha escura. A velocidade de evolução é o que o torna perigoso. “O diagnóstico precoce oferece chances de cura superiores a 90%”, destaca dra Daniela.
Existe um método simples para identificar pinta comum de um possível melanoma, através do auto exame, chamado de Regra ABCDE, que consiste em verificar a assimetria (A), ou seja, se uma metade da pinta é diferente da outra. Observar se as bordas (B) têm irregularidades, serrilhados ou pouca definição. Se tem várias cores (C), como preto, marrom, cinza ou branco na mesma lesão é sinal de alerta. Outro ponto de atenção é o diâmetro (D), que pode ter até no máximo 6 milímetros. A evolução (E) se refere a mudança rápida de tamanho, forma ou cor.
Fatores de risco e o escudo do protetor solar
Além da exposição solar sem protetor, fatores como a genética, pessoas com pele muito clara e cabelos loiros, queimaduras solares com bolhas na infância e adolescência e quantidade de pintas aumentam a possibilidade de ter a doença. Esses grupos de pessoas precisam de monitoramento constante. A prevenção passa obrigatoriamente pelo uso do filtro solar. A recomendação é a aplicação de um fator de proteção (FPS) acima de 30, reaplicado a cada duas ou três horas.
“Não adianta, por exemplo, se eu uso um protetor com fator 30 e você usa um 99, mas eu aplico três vezes ao dia e você aplica uma vez só. Eu estou mais protegida que você. O ideal é fazer essa aplicação com fator acima de 30 e reaplicar durante o dia”, exemplifica. Ao contrário do que muitos pensam, pessoas de pele negra também precisam de proteção. O mesmo vale para os dias nublados, já que o sol age mesmo através das nuvens e o câncer não exclui nenhum tom de pele.
Tratamentos modernos e conhecer o corpo
Para quem tem muitas pintas, o exame de mapeamento corporal é o mais indicado, sendo utilizado para comparar a evolução das lesões ao longo do tempo, sem causar dor ao paciente. Se o câncer for confirmado, hoje, além da cirurgia para retirada do tumor, se utiliza a imunoterapia. O tratamento é individualizado e estimula o próprio sistema imunológico do paciente a combater as células cancerígenas.
Para a dermatologista, a palavra de ordem é ter conhecimento do próprio corpo, observando os sinais novos ou mudanças em pintas antigas, além de realizar consulta regular com um profissional. “Se conheçam, conheçam sua pele, seu corpo, observem o que está diferente. Notou alguma dessas características? Procure um dermatologista. A prevenção é o maior caminho”, orienta.