Por Tatiana Santos
O nome lembra um filme famoso, mas o trabalho é pura matemática e ciência. A Falcon-6 Rocket Design, equipe de competição tecnológica da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), campus Itabira, nasceu do amor pelo universo e pela construção de foguetes, transformando a faculdade em um centro de desenvolvimento de minifoguetes de alto desempenho.
A escolha do nome mostra o começo de tudo e a história da sua criação. Falcon é uma homenagem à famosa nave Millennium Falcon, do filme Star Wars, enquanto o número 6 lembra os seis alunos fundadores que começaram o projeto. Hoje, o grupo cresceu bastante e conta com cerca de 45 a 50 integrantes. O grande diferencial da equipe está na mistura de diferentes cursos. Longe de ter apenas alunos de matérias ligadas diretamente ao espaço, a Falcon-6 une estudantes de várias engenharias, como Computação, Mecânica, Ambiental, Produção e de Mobilidade.
De acordo com Wesley Gabriel Lima Rabelo, estudante de Engenharia da Computação e atual gerente da parte de trajetória, essa união de várias áreas funciona como uma empresa de verdade. A convivência diária com metas, prazos, organização de projetos e desenvolvimento técnico serve como uma grande mudança na vida dos estudantes, preparando todo mundo muito bem para os desafios do mercado de trabalho. “As equipes de competição normalmente não são limitadas a cursos, elas integram todos. Existe uma faculdade antes e outra depois de entrar em uma equipe de competição. Você convive com pessoas que têm as mesmas aspirações e dificuldades. Todo esse ecossistema te ajuda a evoluir muito como profissional”, descreve Wesley.

De olho na LASC
O principal foco da Falcon-6 é a pesquisa e a criação de foguetes para competições importantes, com destaque total para a Latin American Space Challenge (LASC), o evento mais importante desse tipo na América Latina e um dos maiores do mundo. O desafio nessas competições exige um encaixe perfeito entre a teoria e a prática. Nesse tipo de torneio, o grande objetivo é acertar o alvo, sendo que os foguetes precisam chegar na altura exata que foi combinada no projeto (como 500 metros, 1 quilômetro ou 3 quilômetros). Erros de cálculo para cima ou para baixo fazem a equipe perder muitos pontos.
A primeira vez da equipe na LASC foi histórica. Competindo contra equipes experientes do mundo inteiro, o time de Itabira conseguiu o 4º lugar geral na categoria de altura de 500 metros. Esse resultado marcante firmou a Falcon-6 no meio científico e animou os membros a buscarem conquistas ainda maiores. Para os participantes da equipe, a criação dessas tecnologias vai muito além dos troféus e da fama na faculdade, representando a base prática de como o mundo se conecta com a tecnologia global.
“O foguete nada mais é do que um meio de transporte para algo. A gente não teria função para ele se não quisesse levar algo ao espaço. E o que mais se leva hoje em dia são satélites”, explica o estudante de Computação. Atualmente, com a ajuda de professores coordenadores e apoiadores da faculdade, como a professora Gabriela Amorim, a equipe está focada em melhorar o formato e visa a fabricação de um novo foguete para a categoria de 500 metros. O objetivo da equipe é buscar o primeiro lugar internacional e trazer o troféu de campeão para o campus da Unifei Itabira, provando que o futuro da tecnologia do país está sendo desenhado por mãos mineiras.